Novas informações envolvendo a empresária e lobista Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, aumentaram a pressão sobre o entorno do Palácio do Planalto.
Segundo reportagem publicada pelo jornal digital Poder360, a empresária, investigada pela PF por supostos repasses de dinheiro ao filho mais velho do ex-presidente Lula, Lulinha, realizou transferências financeiras para o ex-assessor direto de Lula, em valores que ainda estão sendo apurados pela Polícia Federal, mas que foram confirmadas por Marcola.
De acordo com a publicação, os pagamentos somam dezenas de milhares de reais. O montante exato, a periodicidade das transferências e a finalidade dos repasses ainda não foram esclarecidos pelas investigações. As informações completas estariam sob posse da Polícia Federal.
Marcola nega irregularidades e admite empréstimo
Marcola negou qualquer irregularidade e afirmou que os valores recebidos se referem a um empréstimo pessoal, que, segundo ele, já foi integralmente quitado. Em nota encaminhada à imprensa, porém, o ex-chefe de gabinete não informa o valor do empréstimo, a data em que a operação foi realizada nem apresenta detalhes sobre as circunstâncias da transação. (Veja a nota no final da reportagem)
O caso ganhou força nos bastidores de Brasília após Marcola deixar o cargo de chefe de gabinete da Presidência em 21 de julho. A saída ocorreu poucos dias antes da convenção nacional que oficializou a candidatura de Lula à reeleição.
Bastidores do Planalto
Segundo o Poder360, quatro pessoas familiarizadas com o assunto confirmaram a existência das transferências financeiras entre Roberta Luchsinger e Marcola.
O tema também teria sido discutido entre integrantes da cúpula do PT durante a convenção partidária realizada no último sábado (1º). A avaliação de dirigentes ouvidos pelo veículo é que novas revelações envolvendo investigações de corrupção podem provocar desgaste político em meio à campanha eleitoral.
Marcola integrava o núcleo mais próximo do presidente Lula. Além de coordenar sua agenda oficial, era responsável por acompanhar compromissos diários e administrar um dos telefones utilizados para contatos diretos com o chefe do Executivo.
Roberta Luchsinger já aparece citada na investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo as apurações, ela prestou serviços ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso desde setembro de 2025.
A empresária também mantém relação de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ambos foram mencionados no início das investigações sobre o esquema do INSS, embora neguem qualquer participação em irregularidades.
Ainda conforme a reportagem, Lulinha responde a três inquéritos e é investigado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência. O Poder360 informou anteriormente que ele é suspeito de ter recebido pagamentos mensais atribuídos ao chamado Careca do INSS. O filho do presidente nega as acusações.
Viagens e mensagens sob análise
As investigações também identificaram viagens realizadas por Roberta Luchsinger e Lulinha utilizando o mesmo código localizador em reservas aéreas. Segundo a Polícia Federal, foram registrados deslocamentos internacionais e trechos nacionais entre 2024 e 2025.
Além disso, aparelhos celulares apreendidos durante a Operação Sem Desconto contêm mensagens trocadas entre Roberta e Lulinha que continuam sendo analisadas pelos investigadores.
Conforme revelou o Poder360 em reportagens anteriores, as conversas demonstrariam proximidade entre ambos em temas relacionados ao INSS e a empresas públicas. O material também é citado como parte dos elementos que deverão ser esclarecidos no decorrer das investigações.
Defesa aguarda acesso aos autos
Ao Poder360, o advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, afirmou que responderá aos questionamentos quando tiver acesso ao conteúdo completo do inquérito.
A Presidência da República também foi procurada para comentar a relação entre Roberta Luchsinger e Marcola, mas, segundo o veículo, não havia enviado resposta até a publicação da reportagem.
Nota de Marcola:
“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”.




