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IA de Elon Musk foi usada pelos EUA em operações militares contra o Irã, revela documento

Por Expresso Rio · Publicado em 17/06/2026 14:42 · Atualizado em 17/06/2026 14:42

A inteligência artificial Grok, criada pela empresa xAI, do bilionário Elon Musk, foi empregada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em operações militares realizadas contra o Irã durante o conflito que já se estende por mais de três meses. A informação consta em documentos oficiais do governo dos EUA revelados pela agência AFP e que vieram a público em meio a uma disputa judicial envolvendo a infraestrutura tecnológica da companhia.

Segundo registros datados de 15 de junho, o sistema desenvolvido pela empresa de Musk passou a integrar o Projeto Maven, um dos mais importantes programas de inteligência artificial do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A iniciativa utiliza tecnologias avançadas para auxiliar militares na identificação, análise e seleção de alvos em operações de combate.

A revelação surgiu durante um processo judicial relacionado ao funcionamento de um grande centro de dados operado pela xAI em território estadunidense. O governo dos Estados Unidos utilizou a participação da tecnologia em atividades militares como argumento para defender a manutenção da infraestrutura energética que abastece as instalações da empresa.

Projeto Maven e operações militares

O Projeto Maven é considerado uma das principais apostas do Pentágono para incorporar inteligência artificial às atividades de defesa nacional. Criado inicialmente para processar imagens e dados coletados por sistemas de vigilância, o programa evoluiu ao longo dos anos para apoiar decisões operacionais em cenários de conflito.

De acordo com os documentos apresentados à Justiça, o Grok passou a ser utilizado dentro desse ambiente estratégico, substituindo ou complementando tecnologias anteriormente empregadas pelo Departamento de Defesa.

As informações foram reforçadas por um depoimento prestado sob juramento por Cameron Stanley, chefe da área de inteligência artificial do Pentágono.

Segundo Stanley, o sistema da xAI já integra os chamados Maven Smart Systems (MSS), conjunto de ferramentas utilizadas para análise de informações em tempo real e apoio às operações militares.

Em seu testemunho, o integrante do Departamento de Defesa afirmou que os MSS tiveram papel importante durante a Operação Fúria Épica, ação militar conduzida contra o Irã.

De acordo com o depoimento, os sistemas “permitiram às forças americanas lançar mais de 2.000 munições contra 2.000 alvos distintos em um prazo de 96 horas durante a Operação Fúria Épica”.

O responsável pela área de inteligência artificial do Pentágono também destacou os ganhos de desempenho obtidos com a utilização da tecnologia desenvolvida pela empresa de Elon Musk.

Stanley mencionou o “enorme aumento da eficiência operacional possibilitado pelo modelo Grok Gov”.

Disputa judicial trouxe revelação à tona

A utilização do Grok em operações militares não foi divulgada em um anúncio oficial do governo ou da empresa. A informação surgiu a partir de documentos apresentados em um processo judicial que discute o funcionamento do centro de dados da xAI.

O governo do presidente Donald Trump utilizou a participação da inteligência artificial em atividades militares como argumento para defender a manutenção do fornecimento energético ao complexo tecnológico.

Na ação, o Departamento de Justiça sustenta que eventuais restrições à operação da infraestrutura poderiam afetar interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Segundo a manifestação apresentada à Justiça, o processo “coloca em risco a segurança nacional, econômica e energética americana ao buscar o corte do fornecimento elétrico para a inovação em inteligência artificial que apoia as operações militares do Departamento de Guerra”.

A argumentação foi utilizada para reforçar a importância estratégica das atividades desenvolvidas pela empresa de Musk.

Ação ambiental questiona operação da xAI

O embate judicial que revelou o uso militar da tecnologia envolve uma ação movida pela NAACP, uma das mais tradicionais organizações de defesa dos direitos civis da população afro-americana nos Estados Unidos.

A entidade acusa a xAI de operar dezenas de turbinas de gás sem as licenças exigidas pela legislação ambiental estadunidense.

Segundo os autores da ação, os equipamentos estariam funcionando em desacordo com as regras previstas na Lei do Ar Limpo e produzindo emissões que afetam comunidades localizadas nas proximidades do empreendimento.

A organização argumenta que os impactos ambientais recaem principalmente sobre bairros habitados majoritariamente por população negra.

Defesa da empresa

A xAI contesta as acusações e sustenta que os equipamentos utilizados para abastecer o centro de dados possuem características temporárias e móveis.

Com base nessa interpretação, a empresa afirma que as turbinas não estariam sujeitas às mesmas exigências regulatórias aplicadas a instalações permanentes de geração de energia.

O caso ainda está em análise pelas autoridades judiciais dos EUA e pode ter desdobramentos relevantes tanto para o setor de tecnologia quanto para as discussões sobre o uso de inteligência artificial em aplicações militares.

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