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Mundo

Homem com câncer deixa legado de amor em velório em vida em Mato Grosso do Sul

Por Atualizado em 3 Jul 2026, 23h33 4 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
Imagem: Reprodução/ Alison Lima
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O jornalista Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, reuniu amigos e familiares em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, neste sábado (30), para um evento incomum: um velório em vida. Diagnosticado com câncer de estômago sem possibilidade de cura, ele decidiu transformar o encontro em uma celebração da própria trajetória, reforçando a mensagem de que a doença não define sua existência.

A iniciativa chamou atenção em todo o país após ganhar repercussão nas redes sociais e na imprensa. Durante o evento, realizado em um antigo galpão de cervejaria, Tiago recebeu homenagens, compartilhou histórias e celebrou momentos ao lado de pessoas importantes em sua vida.

Ao longo da confraternização, Tiago destacou a forma como escolheu enfrentar o diagnóstico.

“As pessoas perguntam para mim como é estar morrendo. E eu só tenho uma resposta para dar: eu não estou morrendo, eu estou vivendo”, afirmou.

O ambiente foi preparado com flores, música e elementos decorativos que ajudaram a criar uma atmosfera de celebração. Em vez de um clima de despedida, o encontro foi marcado por abraços, conversas e demonstrações de carinho.

Segundo o jornalista, a intenção era reforçar que a vida continua sendo vivida plenamente, independentemente das circunstâncias.

“Eu vou morrer uma vez só. O resto do tempo eu estou vivendo”, declarou.

A história começou durante o réveillon entre 2023 e 2024, quando Tiago percebeu dificuldades para se alimentar durante uma viagem a Bonito, no Mato Grosso do Sul.

Após uma série de exames, veio o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico. Inicialmente, havia expectativa de tratamento cirúrgico, mas os médicos constataram que a doença já havia avançado para outras regiões do organismo.

“Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo”, relatou.

Mesmo diante da notícia, ele afirma ter encontrado uma nova forma de enxergar a realidade.

“Quando recebi o diagnóstico, foi até um alívio. Eu sabia quem era o inimigo. E decidi: eu tenho câncer, mas o câncer não me tem.”

A inspiração para realizar o próprio velório em vida surgiu em agosto de 2024, durante a despedida do pai.

Segundo Tiago, naquele momento percebeu que a pessoa homenageada não podia participar das lembranças e histórias compartilhadas por amigos e familiares.

“Ninguém sabe mais sobre meu pai do que ele mesmo. Faltou ele ali”, recordou.

Foi a partir dessa reflexão que tomou uma decisão que mudaria sua forma de encarar o futuro.

“Naquele momento eu decidi que não ia faltar no meu velório.”

A repercussão da iniciativa ultrapassou as fronteiras de Mato Grosso do Sul e atraiu pessoas de diferentes regiões do Brasil.

A servidora pública Lícia Freitas, de 43 anos, e o servidor público Ramon Santos, de 56 anos, viajaram de João Pessoa, na Paraíba, para participar do encontro.

Lícia contou que se identificou com a maneira como Tiago enfrenta a doença.

“Me tocou bastante a história dele e ver como ele encara a vida abreviada”, afirmou.

Ela também relembrou a experiência do próprio pai, que enfrentou câncer de estômago.

“Meu pai, assim como ele, teve muita coragem, muita resiliência e aceitou a morte como consequência da vida. Em nenhum momento lamentou.”

Para Ramon, a principal lição deixada pelo jornalista está na escolha de continuar vivendo intensamente apesar das limitações impostas pela doença.

“Ele é um sujeito admirável e não deixou a proximidade da morte paralisar a vida.”

Durante o encontro, Tiago reforçou que seu maior desejo era compartilhar emoções e criar novas memórias ao lado das pessoas que ama.

“Eu quero abraçar e ser abraçado. Eu quero receber carinho, dar carinho. Eu quero rir. Eu quero chorar de emoção.”

O resultado foi uma tarde marcada por afeto, reencontros e reflexões sobre a importância de valorizar cada momento da vida.

Entre músicas, homenagens e conversas, o chamado velório em vida transformou-se em uma celebração da existência, deixando uma mensagem que emocionou convidados e milhares de pessoas que acompanharam a história pelas redes sociais.

Ao escolher celebrar a vida em vez de lamentar a doença, Tiago Pitthan transformou uma experiência difícil em um exemplo de coragem, resiliência e valorização do presente.

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