O governo de Donald Trump indiciou Raúl Castro, ex-presidente de Cuba, por um ataque ocorrido em 1996, quando jatos cubanos derrubaram dois aviões operados pelo grupo de exilados “Brothers to the Rescue”. Quatro pessoas morreram no episódio, incluindo três cidadãos estadunidenses.
O anúncio foi feito em Miami por Todd Blanche, procurador-geral interino dos Estados Unidos. Raúl Castro, hoje com 94 anos, foi acusado de conspiração para matar cidadãos estadunidenses, quatro homicídios e destruição de aeronaves. Outras cinco pessoas também foram indiciadas no caso.
O episódio ocorreu quando o ex-presidente cubano era ministro da Defesa. O governo de Cuba sempre sustentou que a ação foi uma resposta à invasão de seu espaço aéreo, enquanto autoridades dos Estados Unidos afirmam que os aviões foram abatidos em área internacional.
Durante a cerimônia, Blanche afirmou que o caso não é uma “acusação para inglês ver” e disse que Raúl Castro “aparecerá aqui por vontade própria ou de outra forma”. James Uthmeier, procurador-geral da Flórida, afirmou que o ataque não foi acidental e acusou o então ministro cubano de ter ordenado a ação.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu e classificou o indiciamento como uma ação política sem base jurídica. Segundo ele, Washington tenta montar justificativa para ampliar a pressão contra Havana.
A acusação marca nova escalada na relação entre Washington e Havana. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, os Estados Unidos intensificaram sanções e pressões econômicas contra Cuba, que segue sob embargo há mais de seis décadas.
Raúl Castro deixou a Presidência cubana em 2018 e entregou o comando do Partido Comunista em 2021. Ele apareceu em público em Cuba no início deste mês, e não há indicação de que Havana autorize sua extradição aos Estados Unidos.




