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Política

Flávio Dino assume relatoria de novo inquérito da PF sobre suspeitas envolvendo Lulinha

Por 4 min de leitura Expresso Rio
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Flávio Dino assume relatoria de novo inquérito da PF sobre suspeitas envolvendo Lulinha
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino foi sorteado para relatar o terceiro pedido de investigação apresentado pela Polícia Federal sobre possíveis casos de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Novo inquérito foi distribuído por sorteio

A investigação faz parte de um conjunto de procedimentos encaminhados pela Polícia Federal ao STF após o avanço das apurações relacionadas à Operação Sem Desconto. Os pedidos foram apresentados em formatos distintos, o que permitiu que a Presidência da Corte encaminhasse os processos para redistribuição.

O terceiro inquérito estava inicialmente sob análise do ministro André Mendonça, mas acabou sendo enviado para livre distribuição e posteriormente sorteado para Flávio Dino, indicado ao STF pelo presidente Lula durante seu terceiro mandato.

Dino, no entanto, ainda não autorizou formalmente a abertura da investigação. O procedimento busca apurar possíveis ações de aliados de Lulinha em diferentes órgãos da administração pública federal.

Outros dois pedidos voltaram para Mendonça

Os dois primeiros pedidos de investigação relacionados a Lulinha também passaram por sorteio e acabaram novamente sob a relatoria de André Mendonça. Um deles apura suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto.

O segundo procedimento investiga possíveis negócios relacionados à Dataprev, empresa de tecnologia vinculada ao governo federal. A forma como os pedidos foram encaminhados pela PF gerou questionamentos sobre a distribuição dos casos dentro do STF.

Nas últimas semanas, Mendonça também havia feito cobranças à Polícia Federal sobre documentos e materiais apreendidos durante as investigações. O ministro ainda questionou a direção da corporação a respeito de mudanças na equipe responsável por apurações envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Investigação envolve compartilhamento de provas

No primeiro pedido de inquérito, a Polícia Federal solicitou inicialmente 60 dias para realizar diligências e pediu o compartilhamento de provas obtidas em uma das fases da Operação Sem Desconto, que teve como alvo a empresária Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Lulinha.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão, Luchsinger esteve mais de 40 vezes em órgãos do governo federal entre 2023 e 2025 sem que as visitas constassem nas agendas oficiais de autoridades. Entre os locais visitados estavam a Secretaria de Relações Institucionais e o Ministério da Saúde.

A PF afirma, nas representações encaminhadas ao STF, que elementos reunidos durante as investigações sobre suspeitas de desvios no INSS apontam para possíveis crimes de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a empresária. Segundo os investigadores, os fatos analisados nos novos procedimentos não possuem relação direta com os desvios investigados no instituto.

Distribuição provocou novo sorteio no STF

A Polícia Federal não solicitou de forma explícita que os casos fossem retirados da relatoria de André Mendonça. No entanto, os documentos foram apresentados sem indicar uma vinculação direta dos novos inquéritos ao ministro, o que abriu caminho para que os processos fossem encaminhados à livre distribuição.

Durante o recesso do STF, o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, estava afastado, e Alexandre de Moraes ocupava interinamente a Presidência. Antes de encaminhar o material a Mendonça, Moraes enviou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise sobre a definição da relatoria.

A equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliou que o procedimento deveria ser distribuído livremente entre os ministros do Supremo, sem conexão automática com Mendonça. O primeiro pedido, contudo, acabou retornando ao ministro após novo sorteio. Já o terceiro procedimento foi sorteado para Flávio Dino.

Até o momento, Dino não proferiu decisão sobre a abertura formal do inquérito. A investigação deverá analisar as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal e os elementos que fundamentaram o pedido de apuração.

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