Flávio Bolsonaro tem baixa força eleitoral, diz pesquisa

Expresso Rio
Flávio Bolsonaro coçando os ouvidos. Foto: Pedro França/Agência Senado

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência enfrenta obstáculos relevantes, apesar de aparecer com números expressivos em levantamentos eleitorais. Um estudo divulgado nesta terça-feira (21) aponta que o senador ainda não é reconhecido pelo eleitorado como uma liderança consolidada, sendo frequentemente associado ao pai, Jair Bolsonaro, sem identidade política própria definida.

De acordo com levantamento do Instituto Travessia, divulgado pelo Estadão, a imagem de Flávio ainda está fortemente vinculada ao bolsonarismo, funcionando mais como extensão simbólica do ex-presidente do que como um nome independente no cenário político nacional.

Um episódio relatado durante a pesquisa ilustra esse cenário: em uma corrida curta por bairros de São Paulo, um motorista de aplicativo tentou mencionar um adversário de Luiz Inácio Lula da Silva, mas confundiu o nome do senador, referindo-se a ele como “Fábio Bolsonaro”. A situação evidencia o baixo reconhecimento espontâneo do parlamentar, mesmo entre eleitores politicamente engajados.

O relatório reúne dados de 12 pesquisas qualitativas realizadas entre setembro de 2025 e março de 2026, abrangendo dez estados e o Distrito Federal. Os resultados indicam que uma parcela significativa dos entrevistados desconhece a trajetória política de Flávio, incluindo seu mandato atual no Senado pelo Rio de Janeiro e sua atuação anterior como deputado estadual por quatro legislaturas.

Além disso, a pesquisa mostra que o senador frequentemente é visto apenas como “filho de Bolsonaro”, sendo confundido com outros membros da família. Essa percepção reduz sua capacidade de construir uma base eleitoral própria e limita o engajamento emocional com diferentes segmentos do eleitorado.

Segundo o cientista político Renato Dorgan, o desempenho de Flávio nas pesquisas está diretamente ligado ao contexto político atual. “Sua força deriva do antipetismo, da transferência simbólica do bolsonarismo e da ausência de concorrentes fortes no campo da direita”, afirma.

Dorgan também avalia que o momento da pré-campanha é instável. Para ele, o senador ainda não se apresenta como uma liderança consolidada, mas sim como um elemento que mantém a polarização política ativa no país. Nesse cenário, sua performance eleitoral estaria mais relacionada ao ambiente político do que a atributos individuais.

O levantamento aponta fragilidades claras: baixo nível de conhecimento real por parte do eleitorado, ausência de identidade política própria, dependência do discurso polarizado e dificuldade de expandir apoio além do núcleo ideológico mais fiel.

O perfil predominante de seus apoiadores é composto majoritariamente por homens, com mais de 40 anos e alinhados ao antipetismo. Já entre públicos estratégicos como mulheres, jovens e eleitores com maior escolaridade o cenário é mais adverso. Nesses grupos, ganham espaço críticas relacionadas a temas como o caso das “rachadinhas”, supostas ligações com milicianos e a percepção de falta de diferenciação em relação a outros integrantes da família Bolsonaro.

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