A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência prepara um plano voltado ao eleitorado feminino para tentar reduzir o desgaste provocado pelo vídeo em que Michelle Bolsonaro fez ataques ao enteado. A colunista Vera Magalhães revelou nesta quarta-feira (15) que a coordenação do PL dedicou o último fim de semana a reuniões sobre o programa.
O capítulo recebeu o nome de “Brasil por Elas” e deve integrar o programa de governo do senador. O lançamento prevê uma “turnê” por vários estados, com Flávio acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e de lideranças femininas da direita.
A ex-presidente da Caixa Daniella Marques coordena a plataforma destinada às mulheres, assim como já atua no capítulo econômico da pré-campanha. Ela é citada no entorno do PL como possível vice na chapa, caso o Republicanos entre na coalizão, hipótese tratada como incerta, ou como possível nome para um ministério se Flávio vencer a eleição.
Um dos eixos do plano é remunerar mulheres pela dedicação quase exclusiva à chamada economia do cuidado. A campanha pretende apresentar a emancipação feminina como liberdade tanto em relação aos homens quanto ao Estado e atribuir a Lula, ao PT e à esquerda um discurso de submissão das mulheres ao paternalismo estatal.
Programa prevê cashback e plataforma digital para mulheres
A proposta em elaboração inclui um sistema de cashback para compensar o trabalho invisível no cuidado com filhos, casa e idosos. A pré-campanha também quer associar o programa à mobilidade social por meio do “empreendedorismo”.
Pesquisas acompanhadas pela campanha indicam que Flávio enfrenta entre as mulheres dificuldade semelhante à que marcou a trajetória política de Jair Bolsonaro. O vídeo de Michelle ampliou a crise familiar, e a carta divulgada por Jair Bolsonaro não produziu trégua entre a ex-primeira-dama e o senador.
A estratégia também inclui a defesa de uma mulher como vice e falas para tentar afastar Flávio de posições associadas ao pai e a nomes do bolsonarismo, como o influenciador Paulo Figueiredo, no tema dos direitos das mulheres.
Fernanda e outras apoiadoras abastecem o senador com dados sobre feminicídios, violência contra mulheres e desigualdade de acesso ao mercado de trabalho; a campanha ainda prepara uma fala em que ele reconheça que a defesa exclusiva da meritocracia não responde às desigualdades de gênero, enquanto avalia como fazer isso sem reproduzir conceitos do feminismo. A economista Cristiane Schmidt, ex-secretária de Economia de Goiás, deve se juntar ao time do PL em breve.




