Flávio Bolsonaro apresentou uma assistente virtual voltada às mulheres com o mesmo nome de uma ferramenta de inteligência artificial criada pelo Supremo Tribunal Federal durante a presidência de Luís Roberto Barroso. Batizada de MarIA, a proposta integra o plano eleitoral “Brasil por Elas”, lançado pelo senador em sua pré-campanha à Presidência.
Segundo Flávio, a ferramenta deverá auxiliar mulheres a solicitar medidas protetivas, marcar mamografias, procurar apoio psicológico, abrir empresas, obter , encontrar empregos e localizar vagas em creches. O projeto também prevê uma interface de voz para permitir o uso por quem tenha dificuldade de ler ou escrever.
“Tem muitas mulheres, gente, que não sabem escrever, que são analfabetas, semianalfabetas. Então, tem também a comunicação por voz”, afirmou o senador. Flávio disse que o nome reúne “Maria” e a sigla de inteligência artificial. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora do plano, acrescentou que “Maria é a mãe de todos”, enquanto o pré-candidato completou: “Mãe de todos, padroeira do Brasil”.
O vídeo de apresentação mostra uma mulher pedindo ajuda após ser ameaçada pelo marido, outra solicitando orientação para abrir um microempreendimento individual e uma terceira procurando uma creche. A propaganda também simula a assistente informando que um exame de mamografia foi agendado. Flávio prometeu disponibilizar a plataforma a mais de 70 milhões de mulheres que teriam acesso garantido à internet.
Em 2027, a vida das mulheres brasileiras vai mudar de verdade!
Todas poderão contar com a MarIA, uma assistente virtual com inteligência artificial criada para orientar, acolher e abrir portas para novas oportunidades.
A MarIA vai ajudar a acompanhar medidas protetivas, agendar… pic.twitter.com/YrseTLPqwI
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 16, 2026
A MarIA, versão lançada pelo STF em dezembro de 2024 como a primeira ferramenta de inteligência artificial generativa do tribunal foi criado para auxiliar ministros e servidores na elaboração e revisão de textos, produção de relatórios e análise de informações processuais. O Supremo não registrou comercialmente o nome por considerar a ferramenta um produto institucional, o que impede a caracterização de irregularidade na utilização da mesma denominação pela campanha.
A coincidência chamou a atenção de magistrados por envolver um pré-candidato que mantém uma campanha de ataques ao Supremo. Procurado pelo Estadão para explicar se a escolha do nome foi deliberada, Flávio não havia respondido até a publicação da reportagem.
A iniciativa de Flávio Bolsonaro foi divulgada como parte de sua estratégia para se apresentar como pré-candidato à Presidência pelo PL, com foco em serviços digitais voltados a mulheres.




