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Brasil

Filme sobre Bolsonaro: um investimento de R$ 2,5 bilhões pode superar a Lei Rouanet em 21 estados

Por Atualizado em 23 Jun 2026, 09h34 3 min de leitura Expresso Rio
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Imagem: Expresso Rio
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Uma negociação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, voltou a colocar o financiamento de produções audiovisuais no centro do debate político nacional. Segundo reportagem publicada pelo The Intercept Brasil, as tratativas discutiam um repasse de aproximadamente R$ 134 milhões para a produção do filme Dark Horse, obra baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O valor chamou atenção por ser superior ao montante captado via Lei Rouanet em 21 estados brasileiros e no Distrito Federal ao longo de 2025, conforme dados públicos do Salic Comparar, plataforma vinculada ao Ministério da Cultura.

Valor supera arrecadação cultural de vários estados

De acordo com os dados consultados, a quantia que Vorcaro destinaria ao filme seria maior do que o total captado por estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de Espírito Santo e Santa Catarina, por meio da Lei Rouanet.

Valor arrecadado via Lei Rouanet
Posição Estado / Projeto Valor captado
SP R$ 1.268.779.747,73
RJ R$ 743.007.978,15
MG R$ 408.346.484,19
RS R$ 203.493.239,99
PR R$ 155.213.779,92
Dark Horse R$ 134.000.000,00
SC R$ 124.012.507,77
DF R$ 92.671.715,80
PA R$ 82.199.244,41
10º PE R$ 63.969.762,57
11º CE R$ 61.867.226,30
12º ES R$ 50.113.918,93
13º BA R$ 49.796.647,29
14º MA R$ 38.568.796,94

O que diz a reportagem sobre o acordo

Segundo o Intercept, o acordo previa inicialmente um investimento de US$ 24 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação do período. A publicação afirma ainda que parte dos recursos teria sido transferida, com pagamentos que somariam aproximadamente US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025.

A reportagem também cita mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro demonstrando preocupação com atrasos no financiamento da produção. Em um dos trechos, o senador teria afirmado que a equipe estava tensa com o andamento dos pagamentos.

Em nota divulgada após a repercussão, Flávio Bolsonaro afirmou que buscava apenas patrocínio privado para um filme privado sobre o próprio pai. O parlamentar declarou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período em que, segundo ele, ainda não havia acusações públicas ou suspeitas envolvendo o empresário.

“Não ofereci vantagens em troca. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou o senador.

Segundo Flávio, o contato com Vorcaro teria sido retomado apenas por causa de atrasos nas parcelas destinadas à produção audiovisual.

Lei Rouanet volta ao centro da discussão

A repercussão ganhou força porque apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro historicamente criticam mecanismos públicos de incentivo cultural, enquanto o caso envolve uma produção privada com valor milionário ligada à imagem do ex-presidente.

A Lei Rouanet instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), permitindo que pessoas físicas e jurídicas direcionem parte do Imposto de Renda para projetos culturais previamente aprovados.

O mecanismo, no entanto, possui regras específicas para o audiovisual. Conforme as normas atuais, a Lei Rouanet não contempla diretamente o financiamento de filmes de longa-metragem, embora permita incentivos para outras frentes, como curta, média-metragem, preservação e difusão de acervos audiovisuais.

Repercussão política e próximos capítulos

Críticos apontaram contradição entre o discurso político contra incentivos culturais e o valor negociado para a produção. Já aliados de Bolsonaro afirmam que o caso envolve financiamento privado e não dinheiro público.

A discussão também ocorre em meio à exposição pública do nome de Daniel Vorcaro em reportagens sobre o mercado financeiro e operações de grande porte.

Até o momento, não há informação pública indicando investigação formal sobre o financiamento do filme citado na reportagem. Ainda assim, o caso ampliou o debate sobre transparência, financiamento privado e relações entre empresários e figuras públicas no país.

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