Pular para o conteúdo
Justiça

Fachin propõe regras para juízes sobre eventos, presentes e vínculos familiares

Por 3 min de leitura Expresso Rio
fachin-propoe-regras-para-juizes-sobre-eventos,-presentes-e-vinculos-familiares
Fachin propõe regras para juízes sobre eventos, presentes e vínculos familiares
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Edson Fachin, propôs regras para prevenir conflitos de interesse entre magistrados, com exigências sobre participação em eventos, recebimento de presentes, atividades privadas e vínculos familiares. O plenário do conselho deve votar a minuta de resolução nesta terça (4).

O texto orienta todos os tribunais do país a criarem, em até seis meses, mecanismos capazes de identificar conflitos concretos, potenciais ou aparentes. A medida busca avaliar circunstâncias que possam comprometer a independência dos juízes ou a percepção pública de imparcialidade.

Uma das sugestões prevê uma plataforma para que magistrados declarem interesses. Fachin também defende um canal confidencial de aconselhamento ético, destinado a orientar integrantes do Judiciário diante de situações que possam gerar dúvidas sobre sua atuação.

A participação de juízes em eventos, congressos e atividades acadêmicas pagos ou patrocinados por empresas privadas aparece como o primeiro ponto da lista de situações que exigem atenção especial. Os tribunais deverão verificar se os financiadores possuem processos em tramitação na corte onde o magistrado atua.

Tribunais deverão avaliar patrocínios, presentes e relações econômicas

Na análise dos eventos, os tribunais deverão considerar o valor e a razoabilidade das despesas cobertas, a atividade econômica do patrocinador e o risco de comprometimento da independência judicial. A proposta também menciona a necessidade de avaliar a aparência objetiva de imparcialidade.

Presentes, hospitalidades, cortesias, benefícios e outras vantagens recebidas por magistrados ficarão sujeitos a critérios objetivos de aceitação. A minuta determina que as cortes observem os princípios da impessoalidade e da prudência em cada caso.

Fachin propõe ainda um levantamento das atividades externas dos juízes, incluindo atuações acadêmicas, culturais, científicas, empresariais e profissionais. O mapeamento deve abranger relações econômicas e societárias, além da participação em associações, fundações e outras entidades.

O diagnóstico também deverá alcançar vínculos familiares ou profissionais que possam produzir conflito de interesses, bem como relações com fornecedores, prestadores de serviços, grandes litigantes e agentes econômicos com processos nos tribunais. Cada corte deverá designar uma unidade para implementar as medidas, de preferência dentro das estruturas de governança já existentes.

Se o CNJ aprovar a resolução, as regras alcançarão os tribunais brasileiros, inclusive os superiores, com exceção do STF, que não se subordina ao Conselho. Um código de ética específico para a Suprema Corte está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que deve apresentar uma primeira versão após as eleições.

Ouvir texto Pronto