Ex-presidente do Rioprevidência aponta diretor como responsável por proposta de R$ 970 milhões no Banco Master

Expresso Rio
3 min de leitura
Imagem: Reprodução

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, afirmou em depoimento à Polícia Federal que a proposta de investimento de R$ 970 milhões no Banco Master partiu do então diretor de investimentos, Euchério Lerner Rodrigues. A declaração foi feita após a prisão de Deivis, ocorrida em fevereiro, no âmbito das investigações sobre possíveis irregularidades na gestão de recursos do fundo.

Segundo o relato prestado às autoridades, Euchério era o responsável direto pela condução das aplicações financeiras no período em que a proposta foi encaminhada à presidência da autarquia. De acordo com Deivis, a sugestão de aporte no Banco Master chegou formalmente à diretoria e, posteriormente, foi submetida à sua análise, cabendo a ele a assinatura final que autorizou a operação.

O ex-diretor de investimentos também já havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal no início do ano, diante de indícios de inconsistências nas aplicações financeiras realizadas pelo fundo. As investigações buscam esclarecer o processo de tomada de decisão e a eventual existência de falhas ou irregularidades na alocação dos recursos.

Durante o depoimento, Deivis ainda confirmou que teve conhecimento de alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro antes da concretização do investimento. O órgão de controle havia recomendado a realização de uma análise reputacional dos sócios envolvidos na instituição financeira. Apesar disso, o ex-presidente defendeu a decisão de seguir com a aplicação, alegando que a exigência não configurava uma obrigação formal dentro do processo.

Outro ponto destacado na investigação é que o investimento teria sido realizado sem a aprovação do Comitê de Investimentos do próprio Rioprevidência, instância interna responsável por avaliar e validar operações desse porte. A ausência desse aval é considerada um dos elementos que levantaram questionamentos sobre a governança do fundo.

A Polícia Federal continua apurando o caso, que envolve um dos maiores fundos previdenciários estaduais do país. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos do estado do Rio de Janeiro. Entre as suspeitas investigadas está a aplicação de recursos em Letras Financeiras sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que pode representar riscos elevados para o patrimônio do fundo.

As investigações seguem em andamento e buscam identificar responsabilidades individuais e eventuais irregularidades na gestão dos recursos previdenciários.

Partilhar este artigo
1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *