Menos de 48 horas após ser condenado pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico, um dos envolvidos no crime foi morto durante uma operação policial na madrugada desta quinta-feira (16), na cidade de Catu, na Região Metropolitana de Salvador. O caso, que já mobilizava movimentos sociais e autoridades, ganha um novo e controverso desdobramento.
Marilio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, havia sido condenado pelo Tribunal do Júri a 29 anos e 9 meses de prisão por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Ele era o único entre os cinco denunciados que permanecia foragido até então.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais localizaram o suspeito durante uma ação para cumprimento do mandado de prisão. Segundo a versão oficial, Marilio reagiu à abordagem e atirou contra os agentes, o que resultou em confronto armado.
Baleado durante a troca de tiros, ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A polícia informou ainda que uma arma de fogo e munições foram apreendidas com o suspeito no local da operação.
A morte ocorreu pouco tempo após a sentença e gerou reação imediata da defesa. Os advogados afirmaram ter recebido a informação com surpresa, destacando que ainda cabiam recursos contra a condenação. Em nota, declararam que a sequência dos fatos evidencia uma resposta rápida das autoridades, com a responsabilização penal e o desfecho com a morte em confronto.
Além de Marilio, outro réu apontado como executor do crime, Arielson da Conceição Santos, também foi condenado pelo Tribunal do Júri. Ele recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.
Outros três denunciados continuam presos preventivamente. O julgamento aconteceu no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, ao longo de dois dias, sob acompanhamento de ativistas e organizações quilombolas que cobravam justiça pelo assassinato da líder.
Mãe Bernadete foi morta em 17 de agosto de 2023, dentro da sede da associação de quilombolas em Simões Filho. Figura de destaque nacional, ela atuava na Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq) e liderava um terreiro de candomblé no Quilombo Pitanga dos Palmares.
As investigações conduzidas pelo Ministério Público apontaram que o crime teria ligação com disputas territoriais. Segundo as apurações, a líder se posicionava contra a atuação do tráfico de drogas na região e defendia a retirada de estruturas utilizadas para comércio ilegal em área de preservação.
Com a morte de Marilio, o caso tem um desfecho parcial, mas ainda segue em andamento no Judiciário, com recursos previstos e a situação dos demais condenados ainda em análise.


