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Brasil

Migração Forçada: Etíope Escapa de Trabalho Escravo em Condomínio de Florianópolis

Por Atualizado em 23 Jun 2026, 08h49 2 min de leitura Expresso Rio
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Uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, foi resgatada após fugir de um condomínio fechado em Florianópolis, em Santa Catarina, onde, segundo informações da Secretaria de Inspeção do Trabalho, vivia em condições análogas à escravidão. A mulher relatou jornadas superiores a 15 horas diárias, além de violência psicológica, verbal e moral.

De acordo com a fiscalização trabalhista, a vítima trabalhava diariamente das 7h às 22h30, inclusive aos finais de semana, sem descanso adequado. Ela teria sido contratada em Dubai por um casal que a trouxe ao Brasil sem visto de trabalho regular.

Segundo a apuração, os empregadores também mantinham os documentos pessoais da trabalhadora retidos, situação que restringia sua liberdade e dificultava qualquer tentativa de deixar o local.

A mulher conseguiu escapar da residência durante a noite levando apenas o celular e as roupas do corpo. Conforme relato divulgado pelas autoridades, ela caminhou sozinha pelas ruas de Florianópolis até conseguir pedir ajuda utilizando um aplicativo de tradução.

Após ser acolhida por uma rede de assistência social, a trabalhadora acionou os órgãos responsáveis pela fiscalização trabalhista. O caso passou a ser acompanhado pelas autoridades federais.

Segundo os auditores fiscais, os empregadores condicionavam a devolução dos pertences pessoais da vítima ao pagamento de supostas dívidas, prática considerada ilegal.

A Secretaria de Inspeção do Trabalho informou que o caso foi oficialmente divulgado nesta quinta-feira (21). Os auditores solicitaram diligências complementares e a abertura de inquérito policial para aprofundar a investigação.

Conforme a legislação brasileira, situações envolvendo jornadas exaustivas, retenção de documentos, restrição de liberdade e condições degradantes podem configurar trabalho análogo à escravidão.

O caso gerou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre exploração de trabalhadores estrangeiros no Brasil, especialmente em relações domésticas e contratações internacionais.

Nos últimos anos, operações do Ministério do Trabalho e Emprego têm identificado casos semelhantes em diferentes estados do país. Segundo especialistas, trabalhadores imigrantes acabam se tornando mais vulneráveis devido à dependência financeira, barreiras linguísticas e situação documental.

De acordo com entidades de direitos humanos, denúncias envolvendo violência psicológica, retenção de passaportes e jornadas excessivas são frequentemente encontradas em investigações sobre exploração laboral.

As autoridades agora apuram a responsabilidade dos envolvidos e analisam possíveis crimes relacionados à exploração da trabalhadora etíope em Florianópolis.

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