Escândalo Banco Master envolve empresa que recebeu R$ 126 milhões; dono é acusado de estelionato e já sacou auxílio emergencial. Veja detalhes.

Expresso Rio
Fachada do Banco Master. Imagem: Reprodução

Uma empresa pouco conhecida, sediada no centro do Rio de Janeiro, recebeu ao menos R$ 126,6 milhões do Banco Master em operações registradas como pagamentos por serviços prestados. O caso chama atenção pelo histórico do responsável pela companhia, que já foi beneficiário do auxílio emergencial durante a pandemia e responde a processos por estelionato.

De acordo com informações publicadas pela imprensa, o sócio-administrador da Midias Promotora LTDA, Gilson Bahia Vasconcelos, é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sob suspeita de liderar um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS em sua maioria, idosos.

Esquema envolvia reconhecimento facial e empréstimos consignados

Segundo a denúncia, o grupo utilizava um software chamado Vanguard para acessar dados das vítimas. A partir dessas informações, operadores de um call center entravam em contato oferecendo supostos cartões de desconto em estabelecimentos comerciais.

Durante a abordagem, os atendentes alegavam que seria necessário um encontro presencial para a emissão do cartão, incluindo o registro de uma fotografia. Nesse momento, sem perceber, a vítima fornecia sua imagem, posteriormente utilizada em sistemas de reconhecimento facial.

Com esse material, contratos de empréstimos consignados eram firmados em nome das vítimas, com descontos diretos em seus benefícios. Os valores obtidos, conforme a acusação, eram desviados pelo grupo.

Contradições financeiras levantam suspeitas

Os valores movimentados pela empresa contrastam com os dados registrados em documentos oficiais. A Midias Promotora LTDA possui capital social de R$ 1 milhão e foi aberta em 2020 — mesmo ano em que Bahia Vasconcelos recebeu R$ 3 mil em auxílio emergencial, pagos em cinco parcelas de R$ 600.

O endereço informado como residência do empresário é um sobrado simples localizado em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. Não há registro de imóveis em seu nome no estado.

Atualmente, a empresa acumula uma dívida ativa de R$ 12,5 milhões com a União por falta de pagamento de impostos.

Repasse está entre os maiores do Banco Master

O montante transferido à Midias figura como o terceiro maior repasse realizado pelo Banco Master entre 2022 e 2025 por serviços prestados. Os valores ficam atrás apenas de duas outras empresas: uma vinculada a Daniel Monteiro, apontado como responsável pela estrutura jurídica do banco, e outra ligada ao ex-sócio Augusto Lima.

Em 2024, período em que a empresa recebeu a maior parte dos recursos cerca de R$ 96 milhões, Bahia Vasconcelos chegou a ficar preso preventivamente por quase um mês no âmbito das investigações relacionadas ao esquema de call center.

Outras ações relatam prejuízos a vítimas

Além desse processo, o empresário também é citado em outras duas ações judiciais envolvendo supostas fraudes com empréstimos consignados.

Em um dos casos, uma pensionista da Marinha afirma ter transferido aproximadamente R$ 47 mil após ser induzida a contratar um empréstimo, sem receber os retornos prometidos.

Em outra ação, um militar relata ter sido vítima de um esquema semelhante em 2022, no qual o acusado teria se apresentado como gerente de uma empresa e realizado operações de crédito sem autorização.

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