A deputada federal Erika Hilton acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) nesta quinta-feira (14) contra o deputado federal Mario Frias após denúncias envolvendo uma assessora parlamentar de seu gabinete e a produção do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, a assessora Rareska Metsker, nomeada como secretária parlamentar na Câmara dos Deputados, teria atuado por pelo menos sete semanas na produção do longa-metragem entre outubro e novembro de 2025.
Na representação enviada ao TCU, Erika Hilton pede investigação sobre possível desvio funcional e solicita o ressarcimento de R$ 174 mil aos cofres públicos, valor que, segundo o documento, corresponde aos salários e benefícios pagos à servidora desde sua nomeação.
Bastidores do filme entraram na mira da representação
De acordo com a representação apresentada pela parlamentar do PSOL, Rareska Metsker chegou a divulgar em suas redes sociais registros dos bastidores do filme “Dark Horse”, incluindo imagens relacionadas ao making of da produção cinematográfica.
Segundo a apuração, as publicações teriam sido apagadas posteriormente, enquanto o perfil da assessora passou a ficar privado após questionamentos da imprensa sobre sua atuação no projeto.
Erika Hilton sustenta no documento que a participação da assessora no longa teria ocorrido de forma contínua e seria de conhecimento do gabinete de Mario Frias.
A deputada também argumenta que a remoção das postagens após a repercussão pública pode indicar possível preocupação com eventual irregularidade administrativa.
Até o momento, Mario Frias não comentou oficialmente a representação apresentada ao TCU.
Pedido envolve possível uso indevido de estrutura pública
Segundo a ação protocolada no Tribunal de Contas da União, a parlamentar solicita apuração sobre eventual utilização indevida de estrutura pública em benefício de um projeto privado politicamente ligado ao entorno bolsonarista.
O documento afirma que Mario Frias, como responsável pelo gabinete parlamentar, poderia ter permitido que a assessora atuasse durante semanas em uma produção privada enquanto seguia recebendo remuneração da Câmara dos Deputados.
A representação pede ainda análise sobre possível dano ao erário e eventual responsabilidade administrativa dos envolvidos.
Filme “Dark Horse” já enfrentava pressão nos bastidores
O caso amplia a pressão em torno do filme “Dark Horse”, que já vinha sendo alvo de questionamentos após revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Mensagens e áudios divulgados pelo Intercept Brasil mostraram Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos relacionados ao financiamento da obra cinematográfica.
Segundo informações divulgadas anteriormente, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões ao projeto.
Na quarta-feira (13), Mario Frias divulgou nota afirmando que o filme foi produzido com “100% de capital privado”.
O deputado também declarou que Flávio Bolsonaro não possui participação societária na obra e que sua atuação teria se limitado à cessão dos direitos de imagem da família Bolsonaro e à busca de investidores.
“Dark Horse” é estrelado pelo ator Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo no filme “The Passion of the Christ”.
A direção do longa está sob responsabilidade do cineasta Cyrus Nowrasteh.
Segundo informações divulgadas pelos produtores, o filme pretende retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro e possui previsão de lançamento próximo ao período eleitoral.
O caso agora deve avançar no âmbito do Tribunal de Contas da União, que poderá decidir se abre investigação formal para apurar eventual irregularidade envolvendo o gabinete parlamentar e a atuação da assessora.




