A investigação da Polícia Federal sobre o suposto uso irregular de emendas parlamentares por Eduardo Cunha (Republicanos) aponta que os recursos destinados pelo ex-presidente da Câmara alcançaram 29 municípios de Minas Gerais em 2025. Desse total, apenas três são administrados por prefeitos do Republicanos, partido ao qual Cunha se filiou há dois anos e pelo qual pretende disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026.
Segundo a apuração, cerca de R$ 6,15 milhões foram distribuídos por meio de emendas de comissão assinadas pela liderança do Republicanos na Câmara. Essa modalidade permite que o pedido seja formalizado pelo líder partidário, sem identificar publicamente quem articulou a destinação dos recursos.
Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha. Na decisão, o magistrado citou as conclusões da Polícia Federal de que o ex-deputado teria atuado como um agente político, direcionando recursos federais sem possuir mandato eletivo.
De acordo com a decisão, os elementos reunidos pela investigação indicam que Cunha exercia influência sobre a destinação de verbas públicas “sem qualquer autorização institucional”.
Destinação dos recursos
Entre os 29 municípios contemplados, apenas Cambuquira, Guarani e Novo Oriente de Minas são governados pelo Republicanos. Os demais são administrados por prefeitos de diferentes partidos, como MDB, PSD, PP, União Brasil, Avante, PL, PSDB e até PT.
Um dos casos citados é o de Matias Cardoso, administrado pela prefeita Maria de Lourdes Rodrigues, conhecida como Pretinha de Merson (PT). Já Varjão de Minas, governado pelo PL, foi o município que mais recebeu recursos, com R$ 590 mil. Três Corações, administrada pelo PSDB, também aparece entre as cidades beneficiadas.
Cunha nega irregularidades
À Folha de S.Paulo, Eduardo Cunha afirmou que o critério para a distribuição das emendas não foi a filiação partidária dos prefeitos, mas pedidos feitos por lideranças locais, como vereadores e pré-candidatos a deputado.
Segundo ele, algumas cidades inicialmente previstas deixaram de receber recursos em razão de divergências políticas entre prefeitos e os responsáveis pelas solicitações.
O ex-presidente da Câmara também criticou a atuação da Polícia Federal, afirmando que a investigação busca criminalizar a articulação política e interferir no processo eleitoral.
Cassado em 2016, Eduardo Cunha transferiu seu domicílio eleitoral para Minas Gerais com o objetivo de disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2026. A investigação da PF aponta que a articulação das emendas teria servido para ampliar sua base de apoio político no estado, hipótese que é contestada pelo ex-parlamentar.




