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Política

O Brasil deve estar pronto para muito mais. Por Moisés Mendes

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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O Brasil deve estar pronto para muito mais. Por Moisés Mendes
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Lula não teme usar a palavra que muitos políticos não usariam, no slogan da campanha que começa nesse domingo em São Bernardo do Campo. Este é o slogan: “O Brasil pronto pra mais”.

Quem mais se atreve a prometer mais? Flávio não pode. Nem o pai dele poderia. Ninguém da extrema direita teria coragem para dizer que fará mais. Bolsonaro poderia fazer mais do que fez na pandemia?

Lula promete mais e retorna a São Bernardo para resgatar e fortalecer raízes. Quais são as raízes dos Bolsonaros e onde estão? Nas milícias do Rio? Que histórico os Bolsonaros têm para apresentar na hora em que o filho tenta herdar o legado fascista do pai?

A pesquisa Quaest desta semana mostra que mulheres, idosos, negros e pobres são os que mais temem Flávio. Só os jovens de 16 a 34 anos temem mais Lula do que o bolsonarista. A pesquisa deveria perguntar por quê.

No geral, 45% dos eleitores temem a volta ao poder de um Bolsonaro e 41% temem um novo governo de Lula. Essa foi a pergunta feita: “O que causa mais medo ao senhor(a): a volta da família Bolsonaro ao poder ou mais um mandato de Lula?”

A maioria dos brasileiros teme a família Bolsonaro e o que ela representa. Pela capacidade de estimular a violência e o ódio. Pela indiferença com os mais pobres e com a agressividade com a população LGBTQIA+. Pelo machismo denunciado pela própria Michelle. Pelo negacionismo e pelo descaso com ciência, saúde e educação. Pelas relações com Vorcaro. Pela impunidade consentida pelo sistema de Justiça.

A pesquisa Quaest deveria fazer uma consulta qualitativa, para que as pessoas identificassem o que temem em Lula. Um brasileiro pobre pode temer Lula? Pode achar que, por não ser disruptivo, deve ser temido? Por não prometer milagres?

No discurso de lançamento da campanha, Lula poderá desfazer temores se assumir compromissos que nunca assumiu. O presidente terá que dizer, como dizia como sindicalista, que o sistema explorador do trabalhador não nos serve.

Terá que projetar um governo transformador, que não se limite a reafirmar programas sociais e a prioridade pelos mais pobres. E precisará compreender que o brasileiro empreendedor, o cara da MEI – que recebe acenos da direita – merece mais do que teve até agora.

Lula, que já deu sinais nessa direção, terá que dizer que fará mais atacando estruturas enferrujadas e até podres do Estado. Lula terá que dizer que enfrenta o sistema, para que esse não seja um discurso apenas do bolsonarismo.

O jovem, que confia mais em Flávio do que nele, terá que ouvir de Lula o que não ouviu até agora. Hoje ficaremos sabendo o quê. O Brasil deve estar pronto para muito mais.

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