Pular para o conteúdo
Mundo

Eleitorado brasileiro no exterior cresce 32% e chega a 919 mil

Por 5 min de leitura Expresso Rio
eleitorado-brasileiro-no-exterior-cresce-32%-e-chega-a-919-mil
Eleitorado brasileiro no exterior cresce 32% e chega a 919 mil
Seguir no Google News
Ouvir texto Pronto

O número de brasileiros aptos a votar fora do país registrou um crescimento expressivo para as eleições de 2026. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o eleitorado no exterior passou de 697.078 pessoas em 2022 para aproximadamente 918.900 neste ano, um avanço de 31,8% em quatro anos.

Ao todo, cerca de 221,8 mil novos eleitores passaram a integrar o cadastro da Justiça Eleitoral fora do Brasil. O crescimento acompanha mudanças no perfil da comunidade brasileira no exterior, impulsionadas principalmente pelo aumento da imigração, mas também por novos alistamentos, transferências de domicílio eleitoral e atualizações cadastrais.

Apesar da expansão do eleitorado, especialistas ressaltam que os números não significam, necessariamente, que a população brasileira residente no exterior tenha crescido na mesma proporção.

Lisboa lidera crescimento entre as cidades

A principal mudança na distribuição dos eleitores ocorreu em Portugal. Lisboa foi a cidade que apresentou o maior aumento absoluto e percentual entre os principais colégios eleitorais brasileiros no exterior.

A capital portuguesa passou de 45,3 mil eleitores em 2022 para 78.833 em 2026, um crescimento de 74,1%.

O avanço acompanha a forte imigração brasileira para Portugal. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os brasileiros formam atualmente a maior comunidade de imigrantes regularizados no país. Até o fim de 2025, eram pelo menos 574.195 brasileiros vivendo legalmente em território português.

Além de Lisboa, Porto também registrou forte expansão, alcançando 47.676 eleitores, alta de 58,4% em relação ao último pleito presidencial.

Estados Unidos continuam liderando o eleitorado

Mesmo com o crescimento acelerado registrado em Portugal, os Estados Unidos permanecem como o país com o maior número de brasileiros cadastrados para votar.

O total saltou de 182.986 eleitores em 2022 para 265.437 em 2026.

Entre as cidades, Boston consolidou a segunda maior comunidade eleitoral brasileira no exterior, com 53.406 eleitores, crescimento de 43,7%.

Miami aparece na quinta posição, com 40.104 votantes, sendo a única entre as principais cidades a registrar leve redução, de 0,21%.

Nova York também apresentou expansão significativa, chegando a 39.026 eleitores, alta de 39,7%.

O ranking das cidades com maior número de brasileiros aptos a votar em 2026 é composto por:

  • Lisboa (Portugal): 78.833 eleitores (+74,1%)
  • Boston (Estados Unidos): 53.406 (+43,7%)
  • Porto (Portugal): 47.676 (+58,4%)
  • Nagóia (Japão): 44.570 (+25%)
  • Miami (Estados Unidos): 40.104 (-0,21%)
  • Nova York (Estados Unidos): 39.026 (+39,7%)
  • Londres (Inglaterra): 37.564 (+8,9%)
  • Tóquio (Japão): 30.062 (+4,6%)
  • Paris (França): 27.062 (+19,6%)
  • Orlando (Estados Unidos): 26.411

Das 186 cidades no exterior onde há eleitores brasileiros cadastrados, 144 registraram crescimento no eleitorado entre 2022 e 2026. Em três municípios o número permaneceu estável, enquanto outros 34 tiveram redução.

TSE amplia estrutura para votação fora do Brasil

O aumento do eleitorado levou a Justiça Eleitoral a ampliar a estrutura destinada à votação no exterior.

Em abril deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou uma verba de R$ 13,2 milhões para a locação de imóveis em diversos países, atendendo a uma solicitação do Ministério das Relações Exteriores.

Embora a votação normalmente ocorra em embaixadas e consulados brasileiros, a ampliação do eleitorado tornou necessária a utilização de novos espaços.

Segundo documento do Itamaraty, serão utilizados 66 novos endereços nesta eleição. Os Estados Unidos concentram 14 desses locais, sendo três apenas em Boston.

O Japão aparece em seguida, com oito imóveis alugados para funcionamento de seções eleitorais, dos quais cinco ficam em Nagóia, uma das cidades com maior concentração de eleitores brasileiros.

Votação é exclusiva para presidente

As regras para o exercício do voto no exterior seguem praticamente os mesmos critérios aplicados no Brasil.

O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos.

A principal diferença é que os brasileiros residentes fora do país votam exclusivamente para presidente da República, não participando das eleições para governador, senador, deputado federal, deputado estadual ou distrital.

Mulheres seguem maioria entre os eleitores

As mulheres continuam representando a maior parcela do eleitorado brasileiro no exterior.

O número de eleitoras passou de 408.055 em 2022 para 527.734 em 2026, crescimento de 29,3%.

Entre os homens, o avanço foi ainda maior em termos proporcionais. O total passou de 289.023 para 391.142 eleitores, alta de 35,3%.

Com isso, embora elas continuem maioria, sua participação proporcional diminuiu levemente. Em 2022, as mulheres representavam 58,5% do eleitorado no exterior. Agora correspondem a 57,4%, enquanto os homens passaram de 41,5% para 42,6%.

Faixa entre 40 e 44 anos lidera eleitorado

O maior grupo etário entre os brasileiros que votarão fora do país é o de pessoas entre 40 e 44 anos.

Essa faixa reúne 124.782 eleitores, frente aos 100.481 registrados nas eleições anteriores, crescimento de 24,2%.

Na sequência aparecem:

  • 45 a 49 anos: 116.267 eleitores (+44,6%);
  • 35 a 39 anos: 115.044;
  • 30 a 34 anos: 97.966;
  • 50 a 54 anos: 88.917.

Entre os jovens, o maior avanço foi registrado na faixa de 21 a 24 anos, que cresceu 66,6%, passando de 39.131 para 65.195 eleitores.

Maioria dos cadastros não informa raça ou cor

Os dados do TSE também mostram que 556.966 eleitores cadastrados no exterior, o equivalente a 60,6% do total, não informaram raça ou cor durante o cadastramento eleitoral.

Entre aqueles que preencheram esse campo, a categoria mais numerosa é a de pessoas que se declararam brancas, com 233.202 registros.

Na sequência aparecem:

  • Pardos: 89.277;
  • Amarelos: 21.170;
  • Pretos: 17.661;
  • Indígenas: 600.

Não é possível comparar a evolução desses grupos em relação às eleições de 2022, já que, naquele pleito, todos os registros apareciam sem informação sobre raça ou cor.

Outro dado que chamou atenção foi o aumento no número de eleitores que declararam possuir algum tipo de deficiência.

O total passou de 3.561 pessoas em 2022 para 6.614 em 2026, crescimento de 85,7%.

Esse grupo representa atualmente 0,72% de todo o eleitorado brasileiro residente no exterior.

A Justiça Eleitoral destaca que esses números refletem exclusivamente as informações declaradas pelos próprios eleitores no momento do cadastramento.

Também houve crescimento no número de pessoas que utilizam nome social. Em 2022 eram apenas nove registros. Neste ano, o cadastro contabiliza 369 eleitores.

Segundo o TSE, tanto o aumento de registros de pessoas com deficiência quanto o de usuários de nome social pode refletir melhorias e atualizações no cadastro eleitoral, além da ampliação do número de eleitores aptos a votar fora do Brasil.

Ouvir texto Pronto