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Dirigente da FIFA tomou sozinho decisão de liberar atacante dos EUA expulso na Copa

3 min de leitura Expresso Rio
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Dirigente da FIFA tomou sozinho decisão de liberar atacante dos EUA expulso na Copa
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A decisão da FIFA de liberar o atacante Folarin Balogun para disputar as oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, mesmo após ter sido expulso na partida anterior, foi tomada por apenas uma pessoa, sem consulta aos demais integrantes do Comitê Disciplinar da entidade. A revelação é do jornal britânico The Times.

Segundo a publicação, o presidente do Comitê Disciplinar da FIFA, Mohammad al-Kamali, dos Emirados Árabes Unidos, decidiu sozinho suspender a punição automática que impediria Balogun de atuar na partida seguinte. Os outros 17 membros do comitê sequer foram chamados a participar da decisão.

A medida rompeu um precedente histórico. Desde que a suspensão automática por cartão vermelho passou a valer nas Copas do Mundo, nunca um jogador havia sido liberado para disputar a partida seguinte após uma expulsão.

Em alguns casos, a punição é até mais severa. O zagueiro inglês Jarell Quansah, por exemplo, recebeu dois jogos de suspensão após ser expulso contra o México. Com isso, desfalcou a Inglaterra nas quartas de final diante da Noruega e também ficou fora da semifinal contra a Argentina.

De acordo com o Times, Al-Kamali aplicou formalmente uma suspensão de um jogo a Balogun, mas adiou seu cumprimento por um período probatório de um ano. Na prática, isso permitiu que o principal artilheiro da seleção dos Estados Unidos atuasse normalmente contra a Bélgica, apesar de ter sido expulso por uma falta grave — infração que normalmente resulta em dois jogos de suspensão.

A decisão gerou ainda mais polêmica porque ocorreu logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitir publicamente que telefonou para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, para reclamar da punição aplicada ao atacante.

Infantino confirmou ter recebido a ligação, mas afirmou que respondeu a Trump que o caso seria analisado por um “órgão judicial independente” e decidido pelas instâncias competentes da FIFA.

Ainda assim, Trump posteriormente reivindicou para si o mérito pela liberação do jogador.

A repercussão foi imediata. Segundo o Times, a UEFA classificou a decisão como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”.

O chefe de reportagem esportiva do jornal, Martyn Ziegler, também questionou a falta de transparência da FIFA. Segundo ele, a entidade se recusou a divulgar a fundamentação jurídica da decisão ou explicar por que a suspensão de Balogun foi suspensa.

“O caso marca a primeira vez, desde a introdução das suspensões automáticas por cartão vermelho nas Copas do Mundo, que uma punição desse tipo é revertida”, escreveu Ziegler.

Procurado pela BBC no sábado, Mohammad al-Kamali recusou-se a comentar o caso.

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