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Detentas trans denunciam abusos e violência na Colmeia, no DF

Expresso Rio

Uma grave denúncia envolvendo a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia, colocou o sistema prisional do DF no centro de uma nova polêmica. Segundo relatos colhidos por entidades de direitos humanos, mulheres transexuais custodiadas na unidade afirmam estar sofrendo abusos, agressões físicas e violência sexual dentro da ala destinada à população trans.

De acordo com informações do Instituto Nacional de Pesquisa e Promoção de Direitos Humanos (INPDH), homens cisgêneros estariam simulando identidade de gênero para conseguir transferência ao presídio feminino. As internas classificam os suspeitos como “trans fakes”.

Segundo os depoimentos obtidos pela entidade, as mulheres transexuais que se recusam a manter relações sexuais com os supostos infiltrados estariam sendo alvo de espancamentos, ameaças e agressões constantes dentro das celas.

Conforme a apuração do INPDH, as denúncias incluem socos, chutes e intimidações físicas, além de um ambiente de domínio territorial dentro da ala feminina.

O conselheiro Allysson Prata, que participou das entrevistas com as detentas, afirmou que os suspeitos mantêm comportamentos semelhantes aos registrados no sistema penitenciário masculino.

“Eles mantêm a força física e a lógica de domínio do sistema prisional masculino para subjugar as internas”, relatou.

O caso reacende discussões sobre os critérios adotados pelo sistema prisional brasileiro para transferência de pessoas trans para unidades femininas. Especialistas em direitos humanos defendem proteção integral às mulheres transexuais privadas de liberdade, mas também apontam a necessidade de mecanismos rigorosos de verificação e segurança.

Segundo entidades ligadas à pauta LGBTQIA+, a ausência de protocolos específicos pode abrir espaço para conflitos internos e situações de vulnerabilidade extrema dentro das penitenciárias.

A denúncia também levanta questionamentos sobre o monitoramento interno da ala e sobre possíveis falhas de fiscalização dentro da Colmeia, considerada uma das principais unidades prisionais femininas do Distrito Federal.

De acordo com integrantes do INPDH, os relatos deverão ser encaminhados a órgãos de controle, direitos humanos e ao sistema de Justiça para apuração oficial dos fatos.

As denúncias podem provocar investigações sobre possíveis crimes de violência sexual, agressão física e omissão institucional dentro do sistema penitenciário.

Até o momento, não houve divulgação oficial sobre abertura de procedimento interno relacionado às acusações apresentadas pelas detentas.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais e ampliou o debate nacional sobre segurança, direitos humanos e políticas de custódia para pessoas trans no sistema prisional brasileiro.

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