A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu o adiamento do depoimento que ele prestaria nesta sexta-feira (7) à Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master. Segundo informa o jornal O Globo, os advogados afirmam que o parlamentar pretende prestar esclarecimentos, mas somente depois de ter acesso integral aos autos.
A oitiva estava prevista para esta sexta e faz parte do inquérito que investiga a relação entre Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo a defesa, problemas técnicos impediram o acesso ao conteúdo da investigação, apesar de o pedido de consulta aos autos ter sido apresentado há quase um mês, quando a data do depoimento foi indicada.
O adiamento é o segundo registrado nesta semana entre personagens investigados no mesmo inquérito. O depoimento de Augusto Lima, que também seria ouvido pela Polícia Federal, já havia sido remarcado no início da semana.
Defesa alega problemas técnicos para acessar autos
Em nota divulgada nesta sexta-feira, os advogados de Wagner afirmaram que comunicaram a necessidade de remarcar o depoimento com antecedência e sustentaram que a decisão decorreu exclusivamente da impossibilidade de conhecer integralmente o material reunido pela investigação.
“O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês”, disse a nota.
A defesa sustenta que o conhecimento prévio do conteúdo dos autos é necessário para que o senador possa compreender exatamente quais fatos são investigados e apresentar sua versão à Polícia Federal.
Os advogados afirmaram que Wagner não pretende permanecer em silêncio sobre o caso. Segundo eles, a orientação é apenas para que o parlamentar aguarde o acesso aos documentos antes de prestar depoimento.
“O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor”, afirma.
Segundo depoimento adiado na mesma semana
A remarcação da oitiva de Wagner ocorre poucos dias depois do adiamento do depoimento de Augusto Lima, personagem central da linha de investigação que envolve o senador.
Ex-sócio de Daniel Vorcaro, Lima é investigado no contexto das apurações sobre operações relacionadas ao Banco Master. A Polícia Federal busca esclarecer, entre outros pontos, a natureza da relação mantida entre o empresário e Jaques Wagner.
O adiamento das duas oitivas posterga uma etapa considerada importante para que os investigadores confrontem os elementos já reunidos no inquérito com as versões dos envolvidos.
No caso do senador, a defesa não entrou no mérito das suspeitas investigadas e afirmou que continuará sem comentar o conteúdo do caso enquanto não tiver acesso à íntegra da documentação.
“A defesa não fará considerações sobre o mérito até possuir esses dados para análise”, conclui a nota.
Operação apura suspeitas relacionadas ao Banco Master
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de irregularidades e fraudes envolvendo o Banco Master e personagens relacionados à instituição financeira.
É dentro dessa apuração que a Polícia Federal procura esclarecer os contatos e a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima.
A investigação também ocorre em meio à crescente repercussão política das apurações relacionadas ao Banco Master, que alcançaram empresários, políticos e outros personagens ligados às operações investigadas.
No caso de Wagner, o pedido de adiamento não significa recusa em comparecer à Polícia Federal. A versão apresentada pelos advogados é de que uma nova data deverá ser definida depois que a equipe jurídica conseguir consultar o material da investigação.
A defesa sustenta que somente a partir do conhecimento dos elementos reunidos pelos investigadores o senador terá condições de responder às perguntas e prestar os esclarecimentos considerados necessários.
Até que o acesso seja liberado, os advogados também afirmam que não comentarão as suspeitas investigadas nem anteciparão a versão de Wagner sobre sua relação com Augusto Lima.




