A possível delação no BRB envolvendo o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, passou a alterar o rumo das investigações sobre o Banco Master e já impacta diretamente a estratégia do banqueiro Daniel Vorcaro. Nos bastidores, investigadores avaliam que a eventual colaboração pode reduzir a relevância de informações que venham a ser apresentadas por Vorcaro.
Preso na última semana, Paulo Henrique Costa ainda não formalizou um acordo de delação premiada, mas já iniciou movimentos claros nessa direção. Ele está detido no Complexo da Papuda, em Brasília, e trocou sua equipe de defesa, passando a ser representado pelos advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino nomes com experiência em negociações desse tipo.
A mudança é vista como um indicativo de que Costa pretende avançar nas tratativas com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. A expectativa é que as negociações ganhem ritmo nos próximos dias.
Enquanto isso, Daniel Vorcaro também tenta construir um acordo de colaboração desde março, quando deixou a penitenciária federal e foi transferido para a carceragem da Polícia Federal em Brasília. Apesar das movimentações, ele ainda não apresentou formalmente uma proposta aos investigadores.
Nos bastidores, a avaliação é de que a possível delação de Costa pode avançar mais rapidamente. Isso ocorre porque o conteúdo que ele pode oferecer é considerado mais objetivo e com potencial de acrescentar novos elementos relevantes ao caso.
Outro fator que pesa é o impacto público. Um acordo envolvendo o ex-presidente do BRB tende a gerar menos repercussão política do que uma eventual delação de Vorcaro, apontado como figura central no esquema investigado.
Com isso, investigadores avaliam que uma colaboração de Costa pode diminuir o peso estratégico de Vorcaro, especialmente no que diz respeito às operações envolvendo o banco estatal. Esse cenário pode levar as autoridades a adotarem critérios mais rígidos para aceitar um eventual acordo com o dono do Banco Master.
As negociações com Vorcaro, inclusive, enfrentam resistência. As autoridades exigem que ele apresente provas inéditas, além das já coletadas pela Polícia Federal, incluindo dados extraídos de seu celular. Também entram na conta fatores como o tempo de pena e os valores que eventualmente teriam de ser devolvidos.
No centro da investigação, Paulo Henrique Costa é suspeito de ter recebido vantagens indevidas para favorecer interesses do Banco Master dentro do BRB. As apurações indicam que imóveis avaliados em cerca de R$ 146 milhões teriam sido oferecidos como contrapartida para liberar operações consideradas irregulares.
Mensagens obtidas pela investigação apontam ainda que Costa teria orientado subordinados a facilitar aportes de fundos ligados ao Banco Master, que chegaram a representar 23,5% de participação na instituição pública.
Em depoimento à Polícia Federal, prestado em dezembro, o ex-presidente afirmou que os investimentos seguiram critérios técnicos. Ele também declarou que o próprio BRB comunicou ao Banco Central inconsistências detectadas nas carteiras de crédito, após identificar possíveis irregularidades.
A análise completa do celular de Costa ainda está em andamento. O material pode revelar novos elementos e influenciar diretamente os rumos da investigação e das negociações de delação.
