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Dark Horse avança na Ancine e fica mais perto dos cinemas em meio a investigações

Por 4 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
Imagem: Divulgação
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O filme “Dark Horse”, produção de ficção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), avançou no processo necessário para chegar aos cinemas brasileiros. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) ao longa, etapa preliminar para sua exploração comercial no país. Segundo informações divulgadas pela própria agência e repercutidas nesta segunda-feira (24), o registro foi concedido em 7 de agosto, após pedidos apresentados pelas distribuidoras responsáveis pela obra.

A concessão do ROE, no entanto, não significa que o filme já esteja autorizado a entrar em cartaz. A Europa Filmes ainda precisa solicitar à Ancine o Certificado de Registro de Título (CRT) e, posteriormente, obter a classificação indicativa junto ao Ministério da Justiça. A produção foi registrada como ficção, tem aproximadamente 1h40 de duração e deverá usar no Brasil o título “O Azarão”. Até o momento, não há uma data oficial de estreia registrada na Ancine.

O avanço administrativo ocorre enquanto aspectos relacionados à produção são analisados por autoridades. A Polícia Federal solicitou à Ancine informações sobre pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao projeto, incluindo produtores, coprodutores, distribuidoras e representantes legais. Segundo informações inicialmente reveladas pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, e posteriormente repercutidas por outros veículos, a agência recebeu prazo de dez dias para encaminhar os dados solicitados. A existência de investigação ou pedido de informações não representa, por si só, comprovação de irregularidade ou responsabilidade criminal dos envolvidos.

Outra frente envolve a produtora Go Up Entertainment. A Ancine abriu procedimento administrativo fiscalizatório após apontar que as filmagens realizadas no Brasil não teriam sido previamente comunicadas à agência, como determina a regulamentação aplicável a produções estrangeiras realizadas em território nacional. A produtora foi notificada em 28 de julho e, caso seja constatada infração ao fim do processo administrativo, poderá ser aplicada multa entre R$ 2 mil e R$ 100 mil. O procedimento ainda deve observar o direito de defesa da empresa.

Também existem investigações sobre a origem e a destinação de recursos associados ao projeto. Reportagens publicadas nos últimos meses revelaram tratativas envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, relacionadas à captação de recursos para a produção. A Polícia Federal apura esses fatos, além de uma possível conexão entre emendas parlamentares e entidades ligadas à produtora. O deputado federal Mário Frias (PL-SP), citado nas apurações, nega que recursos públicos destinados a projetos sociais tenham financiado o filme e afirma que não houve dinheiro de Vorcaro aplicado na produção. As investigações permanecem em andamento e não equivalem a uma conclusão de que os investigados tenham cometido crimes.

Nesta segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também autorizou a Polícia Federal a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo em investigação que envolve a Go Up Entertainment e o Instituto Conhecer Brasil. O objetivo é permitir o compartilhamento de elementos que possam auxiliar a apuração federal sobre a destinação de emendas parlamentares. São frentes investigativas distintas, e eventuais responsabilidades dependerão da análise das provas e das decisões das autoridades competentes.

No campo comercial, a Europa Filmes já havia indicado que pretende realizar um lançamento de grande porte após as eleições de 2026, evitando colocar a produção nos cinemas durante a campanha presidencial. O planejamento divulgado anteriormente prevê presença em pelo menos 650 salas, embora o número dependa de negociações com as redes exibidoras. Projeções atribuídas à distribuidora trabalham com cenários que vão de aproximadamente 800 mil a 2 milhões de espectadores, mas essas estimativas são comerciais e não representam garantia de público.

Estrelado por Jim Caviezel, conhecido pelo papel de Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, “Dark Horse” concentra sua narrativa principalmente na campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e no atentado a faca sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora (MG). Camille Guaty interpreta Michelle Bolsonaro, enquanto Marcus Ornellas vive Flávio Bolsonaro.

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