Cruzeiro com surto de hantavírus chega à Holanda após mortes

O cruzeiro MV Hondius, que entrou em alerta internacional após registrar um surto de hantavírus durante uma expedição marítima iniciada na Patagônia argentina, atracou nesta segunda-feira (18) no porto de Roterdã, na Holanda. A embarcação encerra a viagem sob forte monitoramento sanitário depois de registrar três mortes confirmadas e diversos casos ligados à cepa Andes do vírus.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades de saúde e pela empresa Oceanwide Expeditions, responsável pelo navio, 27 pessoas permanecem a bordo, entre elas 25 tripulantes e dois integrantes da equipe médica. Todos deverão cumprir protocolos rigorosos de quarentena e observação.
De acordo com comunicado divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o atual cenário não é comparável à pandemia de covid-19. Ainda assim, o caso vem sendo acompanhado por autoridades internacionais devido ao potencial de transmissão da cepa Andes, considerada rara.
A OMS informou que o risco global segue baixo, embora novos casos ainda possam surgir devido ao longo período de incubação do vírus, que pode durar várias semanas.
Até o momento, ao menos sete casos positivos foram oficialmente confirmados, além de um caso considerado provável, conforme levantamento baseado em dados oficiais.
Mais de 120 passageiros e tripulantes já foram retirados da embarcação durante a operação sanitária internacional organizada ao longo da viagem. Parte dos ocupantes foi repatriada para seus países de origem, enquanto outros permaneceram sob quarentena nos Países Baixos.
Duas pessoas um cidadão holandês e um britânico precisaram ser hospitalizadas em caráter emergencial após desembarcarem na Europa. Segundo as autoridades holandesas, ambos seguem em estado estável.
Uma passageira canadense também apresentou resultado considerado “supostamente positivo” para a cepa Andes, conforme comunicado divulgado pela Agência de Saúde Pública do Canadá.
A Oceanwide Expeditions informou que o MV Hondius passará por um processo completo de limpeza e desinfecção após a chegada ao maior porto da Europa.
Entre os passageiros e tripulantes que permanecem no navio estão filipinos, holandeses, ucranianos, um russo e um polonês. Alguns deverão permanecer isolados em instalações portuárias, enquanto outros poderão cumprir quarentena em suas próprias residências.
O corpo de uma turista alemã que morreu durante a viagem ainda permanece na embarcação.
O cruzeiro iniciou sua expedição em 1º de abril, partindo de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, com destino a Cabo Verde, na costa africana.
Durante o trajeto, o surto gerou uma série de dificuldades diplomáticas. Cabo Verde recusou a atracação da embarcação, obrigando o navio a permanecer fundeado próximo à capital Praia.
Posteriormente, autoridades da Espanha precisaram negociar para permitir a entrada do navio em Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde passageiros começaram a ser retirados e repatriados.
A operação internacional envolveu diferentes governos e autoridades sanitárias para viabilizar o transporte seguro de passageiros e tripulantes contaminados ou expostos ao vírus.
O hantavírus normalmente é transmitido pelo contato com saliva, urina ou fezes de roedores infectados, principalmente em ambientes fechados.
A doença é considerada endêmica em algumas regiões da Argentina, local onde a viagem teve início.
No caso do MV Hondius, os infectados apresentaram a chamada cepa Andes, considerada a única variante conhecida com potencial de transmissão entre humanos.
Segundo especialistas, os sintomas podem incluir febre, dores musculares, dificuldades respiratórias e complicações pulmonares graves.
As autoridades internacionais seguem monitorando o caso enquanto os protocolos de isolamento continuam sendo aplicados na Holanda.
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