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Conflito em Botafogo: Comunidade Pressiona Prefeitura por Uso Comercial de Terreno

Por Expresso Rio · Publicado em 20/06/2026 17:09 · Atualizado em 20/06/2026 17:09

O bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, foi palco de um protesto no último sábado (20), que visava pressionar a prefeitura a manter a vocação comercial de um terreno localizado na Rua Barão de Itambi. O local abrigou, por cerca de cinco décadas, unidades de redes supermercadistas como Sendas e Pão de Açúcar, e agora está no centro de uma disputa sobre seu futuro.

A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB) organizou o ato, que reuniu moradores preocupados com a decisão da Prefeitura do Rio de desapropriar o imóvel para um projeto ligado à Fundação Getulio Vargas (FGV). Os manifestantes argumentam que a retirada da atividade comercial afetaria a rotina de cerca de 200 mil moradores de bairros como Botafogo, Flamengo, Urca, Laranjeiras e Catete, que utilizam a estrutura comercial existente na região.

A principal reivindicação da comunidade é a instalação de um novo supermercado no local, preservando uma atividade considerada histórica para o bairro. A presidente da AMAB, Regina Chiaradia, questionou a falta de participação da comunidade nas discussões sobre o futuro do imóvel e se a proposta apresentada pelo poder público atende às necessidades dos moradores.

A Prefeitura do Rio declarou o imóvel de utilidade pública em dezembro do ano passado, com o objetivo de promover a desapropriação do terreno e realizar um leilão para viabilizar a instalação de um centro de pesquisas em inteligência artificial vinculado à FGV. No entanto, os moradores contrários à medida argumentam que a destinação do espaço para uma instituição privada levanta dúvidas sobre o enquadramento da iniciativa como interesse público.

O caso também está sendo discutido nos tribunais. Em abril, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, por decisão liminar, o leilão do imóvel após recurso apresentado pelo Grupo Sendas, proprietário da área. O mérito da ação ainda será analisado, e o processo segue em tramitação. O Grupo Sendas questiona a legalidade da desapropriação e aponta possíveis irregularidades no procedimento.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também se manifestou contra a realização do leilão enquanto a disputa permanece em análise. A empresa proprietária sustenta que a continuidade da atividade comercial é fundamental para o abastecimento da região e destaca que já existe um contrato firmado com o Grupo Mundial para a implantação de um novo supermercado no local.

Enquanto a disputa judicial continua, o destino do terreno permanece indefinido. De um lado, moradores e proprietários defendem a preservação da função comercial do espaço. Do outro, a prefeitura sustenta que o processo ocorre dentro da legalidade e que o projeto atende ao interesse público. A Procuradoria-Geral do Município informou que irá se manifestar nos autos do processo, enquanto a Fundação Getulio Vargas ainda não havia se pronunciado sobre o caso até a última atualização das informações.

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