O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) aceitou ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) cerca de uma hora antes de participar de uma convenção que o lançaria ao Senado por Alagoas, segundo o jornal O Globo. Mesmo após a conversa com Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, Gaspar subiu ao palco, discursou como candidato ao Senado e só embarcou para Brasília na madrugada seguinte, sem confirmação direta de Flávio.
Na convenção, às 18h daquele dia, Gaspar afirmou: “Quero fazer mais pelo Brasil e por Alagoas. O Senado precisa da presença de quem tem coragem para lutar contra o sistema e em defesa do povo alagoano e brasileiro”. Naquele momento, a candidatura à vice já estava sob negociação, após ele responder positivamente à sondagem de Marinho.
Marinho disse que procurou Gaspar inicialmente para saber se ele aceitaria a possibilidade antes de apresentar o nome a Flávio. Após falar com o presidenciável, retornou ao deputado e deu a orientação de manter a conversa em sigilo. “Você está convidado, só que agora você não pode dizer nem à sua esposa”, relatou o coordenador.
Gaspar afirmou que Marinho avisou que Flávio faria uma ligação em seguida para tratar da composição, mas o contato não ocorreu. “Ele disse: ‘Daqui a dez minutos Flávio vai te ligar’. E Flávio nunca me ligou”, contou. Perto da meia-noite, o deputado perguntou a Marinho se deveria mesmo seguir para Brasília.
Campanha buscou partidos antes de definir vice dentro do PL
Marinho recomendou que Gaspar viajasse no único voo disponível, que partia durante a madrugada. O deputado deixou Alagoas por volta das 2h, depois de ter sido aclamado candidato ao Senado e sem uma confirmação do cabeça de chapa de que a indicação seria mantida.
Ao chegar ao QG da campanha em Brasília, Gaspar ainda considerava que Marinho seria o nome mais provável para a vaga. Ele disse ter manifestado essa avaliação ao coordenador, que respondeu que permaneceria na função e que havia indicado o deputado alagoano a Flávio.
Flávio formalizou pessoalmente o convite apenas depois de chegar à sede da campanha. Marinho afirmou que a definição ficou restrita a poucas pessoas até os minutos anteriores ao anúncio; Valdemar Costa Neto, presidente do PL, recebeu a informação na noite anterior, enquanto integrantes da comunicação e do marketing não sabiam quem seria o vice.
A campanha havia tentado formar uma chapa com a federação União Brasil-Progressistas e com o Republicanos, também para ampliar o tempo de propaganda eleitoral. Marinho disse que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a economista Daniella Marques, ligada ao Republicanos, aceitaram convites, mas não receberam autorização de suas legendas para integrar a coligação.
Sem acordo com outras siglas, a campanha passou a buscar um nome dentro do PL. Marinho apontou a experiência de Gaspar como ex-promotor, ex-secretário de Segurança e relator da CPI do INSS para associar a candidatura aos temas de segurança pública e corrupção.
Gaspar disse que Jair Bolsonaro o havia incentivado a disputar o Senado em conversas em 2024 e 2025. A candidatura que ele aceitou abandonar em menos de um dia ganhou força após sua atuação na CPI do INSS, segundo o deputado.




