A inteligência artificial já ocupa espaço central na pré-campanha de 2026, com jingles, clipes, sátiras e vídeos que colocam presidenciáveis em cenas que nunca ocorreram. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e aliados de Lula (PT) recorreram à tecnologia em publicações nas redes sociais.
O crescimento ocorre antes do início oficial da propaganda eleitoral, marcado para 16 de agosto. Levantamento do Observatório IA nas Eleições, divulgado em março e baseado em publicações até fevereiro, apontou alta de 50% na média diária de conteúdos políticos feitos com IA em comparação com o período eleitoral de 2024.
Entre os materiais analisados pelo observatório, 45% receberam classificação de desinformativos e 73% não indicavam o uso da tecnologia. Carla Rodrigues, coordenadora de Plataformas e Mercados Digitais da Data Privacy Brasil, afirmou que o volume aumentou ainda mais com a aproximação da eleição, especialmente em imagens negativas contra adversários.
Flávio publicou um jingle feito com IA e vídeos em que aparece como piloto de caça ou captura um homem apontado como ladrão de celular. O PL também exibiu, na convenção que oficializou sua candidatura, um vídeo sintético no qual Jair Bolsonaro aparecia apoiando o filho; a peça trazia aviso de simulação.
Moraes pediu explicações sobre vídeo com Jair Bolsonaro
Na terça (28), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro informar se o ex-presidente autorizou o uso de sua imagem e voz no vídeo. Moraes apontou que uma eventual concordância poderia descumprir a ordem que impede a divulgação de manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.
A defesa respondeu que Bolsonaro “não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção do vídeo elaborado mediante inteligência artificial referido na decisão”. O ministro também citou a possibilidade de responsabilização de Flávio Bolsonaro e do PL por eventual uso irregular de deepfake.
Veja o vídeo:
📹#vídeo 🗳️ Vídeo de “Bolsonaro” feito com IA é exibido em convenção do PL
➡️ Gravação usa imagem e voz simuladas do ex-presidente; ele cumpre prisão domiciliar por condenação após tentativa de golpe
👇Assista ao vídeo: pic.twitter.com/gZP1J7BI2p
— Poder360 (@Poder360) July 25, 2026
As normas eleitorais exigem aviso explícito, destacado e acessível quando conteúdos sintéticos criam, substituem, omitem, mesclam ou alteram imagem e som. Áudios precisam trazer a identificação no início; imagens estáticas devem ter marca-d’água e audiodescrição; vídeos devem reunir as duas formas de sinalização.
A identificação não autoriza deepfakes usadas para favorecer ou prejudicar candidaturas. Para 2026, o TSE também proibiu a publicação, republicação e o impulsionamento de novos conteúdos sintéticos com imagem, voz ou manifestação de candidatos e pessoas públicas nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas após o fim do pleito, mesmo que estejam rotulados.




