O presidente da Fifa, Gianni Infantino, deve escapar de sanção do Comitê Olímpico Internacional apesar de uma denúncia formal por suposta violação das regras de neutralidade política, segundo o jornal britânico The Guardian.
A controvérsia começou depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou ter conversado com Infantino para pedir uma revisão da punição aplicada ao atacante Folarin Balogun. O jogador estava suspenso e não poderia atuar pelos Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 contra a Bélgica.
Pouco depois da conversa, o Comitê Disciplinar da Fifa suspendeu a punição por 12 meses e liberou Balogun para voltar a jogar. A decisão, tratada como inédita, provocou reação no futebol internacional.
A organização de direitos humanos FairSquare apresentou uma queixa ao COI contra Infantino. A entidade sustenta que o dirigente violou a Carta Olímpica, que determina que membros do Comitê atuem de forma independente e sem aceitar orientações ou interferências de governos ou interesses políticos.
Queixa ao COI e limites para uma investigação formal
A tendência, segundo o The Guardian, é que o caso não avance para uma investigação formal. O COI costuma evitar interferir em decisões de federações esportivas internacionais, especialmente quando ainda há mecanismos internos de recurso disponíveis.
Outro fator apontado pelo jornal é a aproximação entre o COI e a Fifa. A entidade olímpica tem ampliado sua dependência do futebol para atrair audiência e receitas comerciais, sobretudo antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Nem a Uefa nem a Federação Belga de Futebol, que criticaram inicialmente a decisão sobre Balogun, formalizaram denúncia ao COI. A federação belga chegou a cogitar recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte, mas não voltou a se manifestar desde a eliminação da Bélgica para a Espanha nas quartas de final da Copa; a Uefa também não deu prosseguimento ao tema, embora tenha afirmado antes que a decisão da Fifa comprometia a credibilidade das competições.
Infantino mantém apoio político dentro da Fifa: mais de 200 das 211 federações filiadas enviaram cartas de apoio ao dirigente antes da próxima eleição para a presidência da entidade. Ele admitiu ter conversado com Trump sobre Balogun, mas afirmou, por meio de comunicado da Fifa, que mantém contato frequente com chefes de Estado e que o Comitê Disciplinar decidiu de forma independente; a entidade ainda não divulgou a fundamentação completa da decisão e disse apenas que considerou “as circunstâncias específicas do caso e as provas disponíveis”.
