O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), rejeitou uma coligação da federação União-PP com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto porque quer eleger ao menos 40 deputados em 2026, segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo. Na avaliação do parlamentar, a meta depende de a federação não lançar nem apoiar formalmente um candidato à Presidência.
A decisão também retirou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) da possibilidade de ocupar a vice na chapa de Flávio. Aliados do senador apontam o receio de futuras operações no caso Master e um acordo de neutralidade com o governo Lula como fatores para a resistência da federação.
O cálculo de Ciro leva em conta as disputas locais em estados onde dirigentes e parlamentares do partido concorrerão a cargos. Em Pernambuco, por exemplo, o deputado federal Eduardo da disputará uma vaga no Senado enquanto o ex-prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) buscam o apoio político do presidente Lula.
No Piauí, Ciro enfrenta uma corrida apertada pela reeleição, enquanto o governador Rafael les (PT) lidera a disputa estadual. O senador Marcelo Castro (MDB) e o deputado federal Júlio César (PSD) aparecem como adversários de les na eleição para o governo.
Federação quer preservar bancada e fundo eleitoral
A União-PP reúne hoje 98 deputados, a maior bancada da Câmara, e terá quase R$ 1 bilhão em fundo eleitoral em 2026. A direção da federação trata a manutenção dessa força parlamentar como prioridade para a próxima legislatura.
Aliados de Ciro sustentam que a federação poderá integrar a base de qualquer presidente eleito, como ocorreu nos governos de Jair Bolsonaro e de Lula. “Estaremos em qualquer governo, desde que a bancada seja grande. Essa é a prioridade e para isso não podemos carregar o peso de Flávio Bolsonaro em estados importantes”, afirmou um aliado do dirigente do PP.
Flávio Bolsonaro só procurou Tereza Cristina na última quarta-feira, apesar de o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, citá-la repetidamente como nome ideal para a vice. A senadora disse que aceitaria compor a chapa se a União-PP aprovasse a aliança.
A federação, formada por PP e União Brasil, reafirmou em nota na sexta-feira que manterá neutralidade na corrida presidencial. Na última semana, Flávio também trocou os marqueteiros Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer por Duda Lima, responsável pela campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e pelo marketing do PL desde então.




