A Câmara dos Deputados encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um depoimento que descreve uma suposta armação para incriminar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O relato cita pessoas que teriam ligação com o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que negou qualquer participação.
Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentaram, em 27 de março de 2026, uma notícia de fato contra Gaspar. O documento apontava uma acusação de estupro de vulnerável contra o deputado alagoano e afirmava que ele seria pai de uma criança fruto da suposta violência.
A Polícia Legislativa ouviu virtualmente, em 23 de abril, o comerciante Luis Antonio Lopes, de 62 anos, dono de um quiosque no Shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio. Gaspar acionou a corporação após relatar que o homem havia telefonado para seu gabinete para denunciar a possível trama.
No depoimento, Luis Antonio afirmou que uma mulher identificada como Marcela Maria Mendes, que prestava serviços em seu quiosque, teria sido orientada a conceder entrevistas usando o nome de “Jailma”. Ela se apresentaria como vítima de abuso cometido por um político quando era adolescente e diria ter uma filha, chamada “Eloá”, fruto do crime.
Depoimento cita reunião e depósitos bancários
O comerciante disse que Marcela teria sido recrutada por um homem chamado Lucas, conhecido como “Doidinho”, que se apresentava como assessor legislativo. O boletim da Polícia Legislativa registra que ele depois teria se identificado como alguém ligado ao ambiente político de Lindbergh Farias.
Luis Antonio também declarou que Lindbergh teria participado de uma reunião virtual com Marcela e outras pessoas. O relatório ressalta que essa é a percepção do depoente, que afirmou acreditar que o petista “parecia ter plena ciência do contexto fraudulento tratado nas reuniões”.
Segundo o comerciante, ele emprestou sua conta bancária para que Marcela recebesse pagamentos relacionados à suposta armação. Ele citou depósitos de R$ 4 mil, R$ 10 mil e R$ 2,5 mil e entregou comprovantes dos dois últimos à Polícia Legislativa.
A Câmara enviou o material ao gabinete do ministro Gilmar Mendes em 5 de maio de 2026, pois Lindbergh tem foro privilegiado. Mendes pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República, que solicitou diligências à Polícia Federal; em nota, Lindbergh classificou o relato como “picaretagem”, disse que não conhece os envolvidos e afirmou: “Esse depoimento é inventado”.