O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda apresentou neste sábado (1º) um plano para reestruturar o Banco de Brasília (BRB), com propostas que incluem o fechamento das 19 agências abertas fora do Distrito Federal, a redução de despesas e a transferência para a instituição da gestão de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).
Durante declarações à imprensa, no lançamento de sua candidatura ao governo do DF, Arruda afirmou que o primeiro passo para a recuperação do banco será conhecer o tamanho real das perdas após a divulgação do balanço financeiro. O ex-governador também criticou o adiamento da publicação dos resultados e disse que a falta de transparência dificulta a avaliação da situação da instituição.
“Na semana passada houve um pedido do banco para publicar o balanço apenas depois da eleição. Até hoje não publicaram o balanço. Nós não sabemos o tamanho real do rombo”, afirmou.
“O banco pediu para divulgar o balanço apenas depois da eleição. A mensagem que isso passa é: ‘deixa passar a eleição e depois a gente vê o que acontece’. Isso é extremamente grave.”
Fechamento de agências e corte de despesas
Arruda defendeu que o BRB reduza sua presença nacional e retome a vocação de banco voltado ao desenvolvimento do Distrito Federal. Segundo ele, a instituição deve encerrar as atividades das 19 agências abertas em outros estados.
“O banco hoje é pequeno para ser grande e grande para ser pequeno. Tem que reduzir o tamanho da operação nacional e voltar o foco para Brasília e para o Distrito Federal.”
O ex-governador também propôs o fim de despesas que considera incompatíveis com a atual situação financeira do BRB. Entre os gastos citados estão patrocínios ao futebol e à Fórmula 1, além da manutenção de salas VIP destinadas a autoridades.
Outra medida apresentada é a negociação com o governo federal para que o BRB passe a administrar os recursos do FCO. De acordo com Arruda, cerca de R$ 15 bilhões atualmente geridos pelo Banco do Brasil poderiam fortalecer a instituição e ampliar o financiamento ao desenvolvimento econômico regional.
“Assim como acontece com o Banco do Nordeste, seria muito mais razoável que um banco regional administrasse esses recursos.”
Críticas às operações do banco
Ao analisar a situação do BRB, Arruda classificou como irresponsáveis decisões tomadas pela atual gestão e questionou operações envolvendo a compra de títulos. Segundo ele, os negócios precisam ser apurados pelos órgãos de controle.
“O que eu resumo da atual gestão é que houve, no mínimo, um enorme ato de irresponsabilidade. Um banco com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 4 bilhões comprou cerca de R$ 16 bilhões em títulos podres ou de baixa qualidade”, declarou.
Arruda afirmou que a definição de eventuais responsabilidades deve ficar a cargo das instituições competentes. Embora tenha feito críticas à condução da gestão, disse que não pretende antecipar conclusões antes do fim das investigações.
“A responsabilidade da gestão eu deixo para o Poder Judiciário, para o Ministério Público e para o Banco Central.”
“Eu acho que ninguém compra R$ 16 bilhões em títulos podres sem ter muito interesse no jogo, e não é interesse público.”
“Não quero julgar ninguém nem apontar o dedo para ninguém. Quero que as investigações em curso mostrem quem foram os irresponsáveis.”
O ex-governador afirmou que a reestruturação deverá priorizar transparência, equilíbrio financeiro e a retomada do papel histórico do BRB como banco público de desenvolvimento regional.




