O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil) desistiu de disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro e anunciou que tentará retornar à Assembleia Legislativa do estado. Aliado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele havia renunciado à prefeitura em abril justamente para participar da eleição nacional.
Canella presidia o diretório estadual do União Brasil e ocupava no palanque bolsonarista a vaga ao Senado reservada à federação formada pelo partido e pelo PP. O PL já escolheu o senador Carlos Portinho como candidato à outra cadeira. Com a desistência, a federação precisará apresentar um substituto.
A retirada ocorre menos de um mês depois de Canella ser alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A investigação apura uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro com a participação de agentes públicos.
Segundo a PF, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram a movimentação de R$ 7,6 bilhões pelo grupo em seis anos. Canella é investigado como possível braço político do esquema. Ele não foi denunciado nem condenado no caso.
Hoje é um dia importante na minha trajetória de vida pública.
É com o coração cheio de responsabilidade e de amor pelo nosso povo – em especial de Belford Roxo e de toda a Baixada Fluminense – que venho até vocês para compartilhar uma decisão amadurecida, com muita reflexão ao… pic.twitter.com/ytBIHuRHbn
— Márcio Canella (@Marcio_Canella) August 3, 2026
Durante o cumprimento das buscas, agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 no carro utilizado pelo ex-prefeito, que acabou preso em flagrante. A defesa afirmou que a arma pertencia a um policial militar responsável por sua escolta.
Alexandre de Moraes concedeu liberdade provisória a Canella e impôs inicialmente o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar e a entrega dos passaportes. Dias depois, o ministro revogou as restrições ao verificar que o armamento estava registrado em nome do agente da escolta. A decisão sobre o fuzil não encerrou a apuração mais ampla da Operação Unha e Carne.
A prisão havia provocado forte resistência à manutenção da candidatura. Dirigentes do PL avaliaram que Canella não tinha mais condições políticas de disputar o Senado e defenderam sua substituição para evitar o desgaste da chapa. Mesmo assim, o partido decidiu posteriormente aceitar o nome para preservar a aliança com União Brasil e PP.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana, Canella apareceu com 4% das intenções de voto no cenário mais amplo. Benedita da Silva (PT) liderava numericamente, enquanto vários candidatos estavam tecnicamente empatados na disputa pela segunda cadeira.
Canella exerceu três mandatos de deputado estadual entre 2015 e 2024 e deixou a Alerj para assumir a Prefeitura de Belford Roxo. Eleito em primeiro turno, comandou o município por pouco mais de um ano antes de renunciar para concorrer ao Senado. Agora, depois de abandonar o projeto nacional, tentará recuperar uma cadeira no Legislativo fluminense.




