A Polícia Federal (PF) restabeleceu, nesta segunda-feira (27), as credenciais de trabalho de um agente do governo dos Estados Unidos que atua dentro da sede da corporação, em Brasília. A decisão ocorre após um episódio de tensão diplomática entre os dois países, envolvendo medidas de retaliação e acusações mútuas.
O agente norte-americano havia tido seu acesso suspenso na semana anterior com base no princípio da reciprocidade. A medida foi adotada após o governo dos Estados Unidos, sob gestão de Donald Trump, determinar a expulsão do delegado da PF Marcelo Ivo.
O policial brasileiro participou diretamente da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em território norte-americano, o que desencadeou o impasse diplomático. Sem as credenciais, o agente dos EUA ficou impedido de acessar dependências da Polícia Federal e sistemas compartilhados utilizados na cooperação entre os países.
De acordo com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, um segundo funcionário norte-americano também foi afetado pela suspensão, embora não haja confirmação oficial sobre a reativação do acesso nesse caso.
O episódio tem como pano de fundo a detenção de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele era alvo de um pedido formal de extradição.
A Polícia Federal sustenta que a prisão ocorreu dentro dos mecanismos legais de cooperação internacional. Já autoridades norte-americanas afirmam que a abordagem teve motivação exclusivamente migratória, o que gerou divergências entre os governos.
Dois dias após a detenção, Ramagem foi liberado sem comunicação prévia às autoridades brasileiras. Ele permanece em território norte-americano enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo.
Ao justificar a expulsão do delegado Marcelo Ivo, o Departamento de Estado dos EUA acusou o Brasil de tentar “manipular o sistema de imigração”. A declaração aumentou o desgaste entre os países e levou à reação imediata da Polícia Federal.
A devolução das credenciais ao agente norte-americano sinaliza uma tentativa de redução das tensões e retomada da normalidade na cooperação bilateral, considerada estratégica em áreas como combate ao crime internacional e inteligência.
Apesar do gesto de distensão, o caso ainda pode gerar novos desdobramentos diplomáticos, especialmente em relação ao processo de extradição de Ramagem e às investigações em curso.
Autoridades brasileiras e norte-americanas seguem em diálogo para evitar novos atritos e preservar acordos de cooperação que envolvem segurança e justiça.