Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descrevem o senador como “cansado” e “um pouco disperso” às vésperas do início oficial de sua campanha presidencial. A avaliação foi publicada neste domingo (16) na coluna de Lauro Jardim, no Globo, antes de um ato previsto para Copacabana, no Rio de Janeiro.
O senador chega à largada depois de uma sequência de crises políticas e pessoais. Um dos principais desgastes envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, procurado por Flávio para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Áudios e mensagens revelaram as tratativas sobre o filme, e Flávio também se reuniu com Vorcaro após a primeira prisão do empresário. A Polícia Federal passou a investigar o caso.
A relação com Vorcaro ampliou o conflito entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela afirmou ter sido “humilhada” e “apunhalada” pelo enteado, além de compartilhar insinuações sobre festas atribuídas ao ex-banqueiro; Flávio respondeu que ela estava “desinformada” e depois pediu desculpas.
Carta de Jair e correção em biografia ampliam desgastes
Outro episódio atingiu a campanha após Flávio ler, em transmissão, uma carta de apoio assinada por Jair Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas do senador ao ex-presidente e enviou o caso ao Ministério Público Eleitoral para apurar possível propaganda antecipada.
Moraes apontou indícios de que a carta teria servido para contornar restrições impostas a Jair Bolsonaro. A decisão acrescentou uma frente eleitoral à pressão sobre o pré-candidato do PL.
Perfis oficiais de Flávio também corrigiram nesta semana a informação de que ele teria feito pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A UFRJ declarou não ter localizado registro do senador no curso, e os diplomas divulgados depois não comprovavam a formação anunciada.
A campanha enfrentou ainda uma alteração no sistema de filiações da Justiça Eleitoral, que registrou Flávio no partido Missão sem autorização e com dados falsos. O TSE restabeleceu a filiação ao PL e encaminhou o caso à Polícia Federal; o senador disse que seu gabinete recebeu mensagens sobre o cadastro, mas tratou os e-mails como “spam”.
Pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14) apontou rejeição de 54% a Flávio, acima dos 52% registrados por Lula. No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto e o senador, com 31%, a 49 dias da votação.




