A agressão de uma artesã durante uma fiscalização da Guarda Municipal na orla de Copacabana provocou forte repercussão na Câmara Municipal do Rio de Janeiro nesta terça-feira (14). Parlamentares cobraram mudanças na atuação dos agentes e criticaram episódios recorrentes de violência em abordagens contra trabalhadores informais.
O caso ocorreu no último domingo (12), quando uma ambulante teve o cabelo puxado por uma agente durante uma ação de ordenamento urbano. Imagens gravadas por testemunhas circularam nas redes sociais e ampliaram a pressão sobre o poder público.
Diante da repercussão, o prefeito Eduardo Cavaliere anunciou o afastamento dos agentes envolvidos e a abertura de um processo administrativo. Em pronunciamento, classificou a conduta como injustificável e pediu desculpas à vítima.
No plenário, vereadores de diferentes partidos se manifestaram. O vereador Márcio Santos elogiou a postura do prefeito ao reconhecer o erro, mas alertou para a repetição de episódios semelhantes. Segundo ele, a atuação da fiscalização precisa ser revista para evitar abusos contra trabalhadores.
Já o líder do governo, Márcio Ribeiro, defendeu a resposta do Executivo e destacou que a Guarda Municipal é formada, em sua maioria, por profissionais comprometidos. Ele afirmou que eventuais excessos devem ser punidos, mas não representam toda a corporação.
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Por outro lado, parlamentares da oposição adotaram um tom mais crítico. O vereador Rogério Amorim questionou a cadeia de comando das operações e afirmou que a responsabilidade não deve recair apenas sobre os agentes envolvidos.
Na mesma linha, William Siri criticou o modelo de repressão ao comércio ambulante na cidade, classificando-o como uma política histórica que precisa ser revista. Já Leonel de Esquerda destacou o recorte social e racial do episódio, além das dificuldades enfrentadas por trabalhadores informais para obter regularização.
Durante a sessão, os vereadores aprovaram, em primeira discussão, um projeto que reconhece os ambulantes da orla como patrimônio imaterial da cidade. A proposta, considerada simbólica diante do caso, ainda precisa passar por nova votação antes de seguir para sanção.
A ocorrência foi encaminhada ao Juizado Especial Criminal (Jecrim), enquanto a Guarda Municipal informou que também conduz investigação interna para apurar a conduta dos agentes.
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