O senador Alessandro Vieira intensificou o confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF) ao afirmar que ministros da Corte “não são donos do país”. A declaração foi dada após críticas ao relatório da CPI do Crime Organizado, ampliando a crise entre Legislativo e Judiciário em um momento de alta tensão política no Brasil.
Relator da comissão, Vieira reagiu às manifestações de ministros do STF que contestaram o documento final da CPI, o qual solicita o indiciamento de integrantes da própria Corte e do procurador-geral da República. Segundo o parlamentar, houve tentativa de intimidação ao trabalho legislativo, o que ele classificou como inaceitável dentro do equilíbrio entre os poderes.
Durante entrevista, o senador citou nominalmente os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, acusando-os de insinuarem possíveis punições contra parlamentares. Vieira afirmou que as declarações indicariam pressão indevida sobre a atuação da CPI, incluindo menções a cassações e processos judiciais.
A reação no STF foi imediata. Gilmar Mendes classificou o relatório como inadequado e defendeu investigações por abuso de autoridade contra seus autores. Já Toffoli levantou a possibilidade de responsabilização de parlamentares, o que ampliou ainda mais o embate institucional. Outros nomes, como Flávio Dino, também se posicionaram contra o teor do documento.
Apesar da pressão, Vieira afirmou que não pretende recuar. O senador sustenta que o relatório seguirá para votação e será encaminhado a órgãos como o Ministério Público Federal, além da Mesa do Senado. A decisão final poderá passar pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que já sinalizou cautela diante da crise.
O episódio ocorre em um cenário político sensível, marcado por disputas entre poderes e pelo contexto eleitoral. A controvérsia envolvendo a CPI do Crime Organizado reforça o clima de instabilidade institucional, com possíveis desdobramentos jurídicos e políticos nas próximas semanas.


