A campanha do presidente Lula pretende escolher “a dedo” os veículos e os momentos em que ele concederá entrevistas durante o primeiro turno. A estratégia busca evitar uma superexposição do petista, que aparece à frente nas pesquisas, e concentrar sua participação em espaços considerados mais vantajosos.
A decisão de não participar da rodada de entrevistas promovida pela GloboNews faz parte desse planejamento, segundo s do Palácio do Planalto ouvidas pelo UOL. De acordo com esses interlocutores, a recusa já estava definida antes da divulgação do caso envolvendo o empréstimo recebido por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e não teria sido motivada pela reportagem.
A avaliação interna é que Lula, por já ter exercido três mandatos e ser amplamente conhecido pelo eleitorado, pode administrar sua vantagem sem aceitar todos os convites. Integrantes da campanha comparam a estratégia ao “jogo parado”, em que o candidato que está à frente controla a bola e evita movimentos desnecessários.
Ainda não há uma decisão definitiva sobre os debates. A tendência, porém, é que o presidente evite encontros nos quais enfrentaria uma maioria de adversários classificados pelos petistas como integrantes da extrema direita. A preparação exigida e o risco de transformar os eventos em uma sequência de ataques também pesam no cálculo.
A campanha pretende priorizar entrevistas e podcasts com grande alcance na internet. A participação de Lula no Inteligência Ltda., em 30 de julho, foi escolhida por permitir contato com um público digital no qual o bolsonarismo ainda possui presença mais organizada.
Outro componente da estratégia é o efeito da ausência de Lula sobre Flávio Bolsonaro. A leitura do entorno presidencial é que, sem o petista, o candidato do PL se tornaria o principal alvo de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e dos demais concorrentes de direita.
Um relatório qualitativo do Instituto Democracia em Xeque apontou que eleitores pendulares compreendem melhor uma eventual ausência de Lula do que a de Flávio. Para esse segmento, o presidente já é conhecido, enquanto o senador ainda precisa demonstrar que possui uma candidatura própria, além de ser o nome escolhido por Jair Bolsonaro.




