O governo brasileiro elevou o tom contra os Estados Unidos após a expulsão de um delegado da Polícia Federal que atuava em missão oficial no país. A decisão, considerada “sumária” pelo Ministério das Relações Exteriores, gerou reação imediata e abriu um novo atrito diplomático entre as duas nações.
O Itamaraty divulgou nesta quarta-feira (22) uma nota oficial criticando a conduta do governo norte-americano ao determinar a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava na Flórida. O agente participou de ações relacionadas à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
De acordo com o comunicado, a decisão dos Estados Unidos desrespeitou práticas diplomáticas consolidadas e contrariou acordos de cooperação firmados entre os dois países. O governo brasileiro afirmou que não houve qualquer pedido formal de esclarecimento nem tentativa prévia de diálogo, o que violaria um memorando de entendimento que prevê consultas mútuas em situações sensíveis.
Ainda segundo o Itamaraty, toda a comunicação por parte das autoridades americanas ocorreu de forma verbal tanto na reunião com representantes da embaixada quanto na notificação ao delegado, o que foi considerado inadequado diante da gravidade da medida.
Marcelo Ivo de Carvalho estava em missão oficial desde março de 2023, com a função de identificar e capturar foragidos da Justiça brasileira em território americano. Sua permanência havia sido prorrogada até agosto de 2026, mas foi interrompida no último dia 20 de abril. O governo dos EUA justificou a decisão alegando que o delegado teria tentado contornar processos formais de extradição e promovido ações com viés político.
Como resposta, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou a aplicação do princípio da reciprocidade. Ele determinou a retirada imediata das credenciais de um agente norte-americano que atuava na sede da PF, em Brasília.
Durante entrevista à GloboNews, Rodrigues afirmou que a decisão foi tomada com pesar, mas destacou a necessidade de resposta institucional. O agente dos EUA, que trabalhava em uma unidade ligada à imigração, teve seu acesso às bases de dados compartilhadas suspenso e foi impedido de continuar exercendo suas funções.
Apesar da medida, o diretor-geral ressaltou que não houve expulsão do servidor estrangeiro. Segundo ele, a Polícia Federal não possui competência legal para esse tipo de ação. “Assim como o delegado brasileiro não foi formalmente expulso dos Estados Unidos, nós também não vamos expulsar ninguém do Brasil. O que foi feito é a retirada de credenciais e a interrupção das atividades”, explicou.
O episódio expõe um momento de tensão na cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança e levanta questionamentos sobre o cumprimento de acordos internacionais que regem a atuação conjunta entre os países.



