O cenário de saúde na Venezuela está em colapso seis dias após a série de terremotos que atingiu o país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre a situação crítica, com hospitais danificados, escassez de profissionais de saúde, falta de medicamentos e um aumento significativo no risco de doenças. Enquanto as equipes de resgate continuam a procurar sobreviventes entre os escombros, a crise humanitária se aprofunda.
De acordo com o governo venezuelano, o número de mortos subiu para 1.943, com milhares de pessoas ainda desaparecidas e dezenas de milhares desabrigadas. A situação nos hospitais é particularmente crítica, com nove estabelecimentos tendo sofrido danos significativos e sendo forçados a reduzir ou suspender seus atendimentos. Além disso, muitos médicos e enfermeiros estão entre os desaparecidos, o que agrava a escassez de profissionais de saúde.
A OMS também alertou para o risco crescente de surtos de doenças como dengue e febre amarela, devido às condições precárias enfrentadas pelos desabrigados. Neste contexto, o Brasil ampliou sua missão humanitária, com a Marinha instalando um hospital de campanha em La Guaira, capaz de atender cerca de 150 pessoas por dia. Além disso, a Força Aérea Brasileira enviou um voo humanitário com mais de cinco toneladas de medicamentos e equipamentos para apoiar a estrutura médica local.
A missão brasileira conta com aproximadamente 100 militares, incluindo profissionais de saúde e fuzileiros navais, além de 71 bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, e quatro especialistas da Defesa Civil. O ministro da Defesa, José Múcio, visitou as equipes brasileiras e se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas.
A ajuda internacional ao país tem sido significativa, com mais de 30 países enviando apoio humanitário. Cerca de 3,6 mil socorristas estrangeiros estão atuando nas operações de busca e salvamento, incluindo equipes dos Estados Unidos, que enviaram mais de 300 integrantes de equipes de emergência, além de aeronaves, navios e caminhões adaptados para funcionar como ambulâncias.
Historias de sobrevivência têm emocionado as equipes de resgate, como a de um menino de três anos que foi retirado com vida dos escombros em Caracas por bombeiros da Jordânia, e a de um filhote de cachorro localizado por socorristas de El Salvador. Outro caso notável foi o de Anderson, de 21 anos, que foi deportado dos Estados Unidos horas antes dos terremotos e ficou soterrado por quase dois dias, sendo resgatado com vida, mas necessitando de amputação de ambas as pernas.
A crise humanitária na Venezuela é uma das mais graves de sua história recente, com hospitais sobrecarregados, infraestrutura comprometida e milhares de pessoas necessitando de atendimento médico, alimentação e abrigo. As operações de resgate continuam, e organismos internacionais alertam que a assistência humanitária será essencial nas próximas semanas para evitar o agravamento da crise.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/terremotos-levam-sistema-de-saude-da-venezuela-ao-colapso/