A cidade de Itaguaí, localizada na Costa Verde fluminense e sede de um dos principais complexos portuários do país, tem sido marcada por uma crise política sem fim. A pergunta que permanece é: por que a cidade se tornou sinônimo de instabilidade política? A resposta pode ser encontrada em uma longa sequência de cassações, afastamentos, investigações, processos eleitorais e disputas judiciais que transformaram a política local em uma das mais conturbadas do estado do Rio de Janeiro.
Um dos episódios mais emblemáticos da história recente da cidade envolve o ex-prefeito Luciano Mota, conhecido como o "prefeito da Ferrari amarela". Em 2015, Luciano foi afastado pela Justiça após uma operação da Polícia Federal que investigava um suposto esquema de desvio de recursos públicos. A imprensa da época mostrou que a PF apurava inclusive a compra de uma Ferrari que teria sido registrada em nome de terceiros. O ex-prefeito havia se tornado conhecido nacionalmente por circular pela cidade em uma Ferrari amarela, e a PF estimava desvios que poderiam chegar a R$ 30 milhões dos cofres municipais.
Anos depois, a turbulência não terminou com a saída de Luciano Mota. Em 2018, o então prefeito Carlo Busatto Júnior, o Charlinho, teve o mandato atingido por decisões judiciais relacionadas a condenações por corrupção e fraudes em licitações. Posteriormente, em 2020, Charlinho e seu vice foram definitivamente cassados pela Câmara Municipal após um processo de impeachment. A cassação abriu caminho para que o então presidente da Câmara, Rubem Vieira de Souza, o Dr. Rubão, assumisse a prefeitura em mandato-tampão.
A disputa jurídica que se seguiu envolveu a candidatura de Dr. Rubão à reeleição em 2024, que foi contestada pela Justiça Eleitoral sob o entendimento de que ele estaria tentando exercer um terceiro mandato consecutivo. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a impugnação da candidatura e determinou a realização de uma nova eleição para prefeito. Essa é apenas a última capítulo de uma longa história de instabilidade política em Itaguaí, que tem sido marcada por disputas judiciais permanentes, mudanças frequentes de comando e sucessivas intervenções da Justiça.
A cidade também tem sido palco de investigações e denúncias recorrentes envolvendo gestores municipais. Recentemente, a Câmara Municipal chegou a abrir um processo de cassação contra o próprio Dr. Rubão após uma CPI apontar suspeitas de irregularidades em contratos de limpeza urbana que somariam cerca de R$ 60 milhões. Além disso, ex-prefeitos da cidade também enfrentaram processos de inelegibilidade e punições eleitorais ao longo dos últimos anos.
Com a nova eleição determinada pelo TSE para 2026, Itaguaí tentará mais uma vez encerrar um ciclo de instabilidade que há anos desafia a governabilidade do município. A cidade precisa encontrar um caminho para superar as disputas judiciais e políticas que a têm marcado e encontrar um rumo para o desenvolvimento e o crescimento. A história de Itaguaí é um exemplo de como a instabilidade política pode afetar a vida dos cidadãos e a economia de uma cidade, e é preciso que os líderes políticos e a sociedade civil trabalhem juntos para encontrar soluções para esses problemas.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/itaguai-por-que-a-cidade-vive-uma-crise-politica-sem-fim/