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Política

Creches ligadas a Gigi Castilho viram alvo de nova investigação

Creches ligadas a Gigi Castilho viram alvo de nova investigação
Creches ligadas a Gigi Castilho viram alvo de nova investigação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro aprofundou as investigações sobre supostas irregularidades em creches conveniadas à Prefeitura do Rio ligadas à vereadora Gigi Castilho (PL) e ao marido dela, Luciano Castilho. Novos depoimentos obtidos pela Delegacia de Defraudações apontam indícios de fraude em contratos de aluguel, possível lavagem de dinheiro e manutenção de “alunos fantasmas” para garantir o recebimento de recursos públicos.

As instituições investigadas receberam cerca de R$ 72 milhões da Prefeitura do Rio desde 2019 para atendimento de crianças da rede municipal de ensino. Os convênios foram suspensos pela administração municipal no fim de 2025, após o avanço das investigações. As informações são do RJTV2.

Contrato de aluguel sob suspeita

Um dos principais focos da apuração envolve a Unidade 7 da Creche Deus é Fiel, localizada em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio.

Documentos apresentados à Secretaria Municipal de Educação registram gastos de aproximadamente R$ 223 mil com aluguel do imóvel entre 2022 e 2023. Entretanto, a mulher apontada nos documentos como proprietária do imóvel afirmou à polícia que nunca recebeu qualquer pagamento e que sequer era dona do local.

Vanessa de Oliveira Monteiro, que trabalhou como assistente administrativa na creche, declarou aos investigadores que costumava assinar diversos documentos sem conferir o conteúdo. Ela afirmou suspeitar que sua assinatura possa ter sido utilizada indevidamente ou reproduzida em documentos relacionados ao contrato de locação.

Segundo a investigação, apenas um recibo de aluguel foi localizado nas prestações de contas analisadas, e o documento teria sido assinado por uma terceira pessoa.

Suspeita de alunos fantasmas

Outro eixo da investigação envolve supostas fraudes nos registros de frequência escolar.

Ex-funcionários ouvidos pela Delegacia de Defraudações relataram que nomes de crianças que já não frequentavam as unidades continuavam sendo mantidos nas listas oficiais encaminhadas aos órgãos públicos. O objetivo, segundo os depoimentos, seria assegurar a continuidade dos repasses financeiros vinculados ao número de matrículas.

As testemunhas também afirmaram que professores eram orientados a alterar registros nos diários de classe para ocultar ausências e justificar a permanência dos alunos nos cadastros.

Relatos de coação

Os depoimentos reunidos pela polícia também descrevem um ambiente de pressão sobre funcionários.

Entre os relatos estão reuniões realizadas sem a presença de aparelhos celulares, que seriam recolhidos antes dos encontros, além de supostas exigências para participação em atividades políticas.

Segundo ex-funcionários, empregados teriam sido orientados a comparecer a eventos eleitorais, distribuir material de campanha e pedir votos para a vereadora junto aos responsáveis pelos alunos das creches.

O que dizem os investigados

Em depoimento à Polícia Civil, a vereadora Gigi Castilho negou qualquer conhecimento sobre irregularidades financeiras ou administrativas. Ela afirmou que sua atuação nas instituições era exclusivamente pedagógica.

Sobre as denúncias de coação, a parlamentar declarou que eventuais manifestações de apoio político por parte de funcionários ocorreram de forma espontânea e negou qualquer imposição.

Luciano Castilho, fundador das instituições investigadas, não compareceu para prestar depoimento quando foi intimado. Já Anderson de Oliveira Nascimento, atual representante legal das creches, exerceu o direito de permanecer em silêncio.

Em nota, a defesa de Gigi Castilho e Luciano Castilho afirmou que a vereadora não possuía participação na gestão administrativa das unidades, nem em contratos, registros de alunos ou contratação de fornecedores. A defesa também sustenta que não houve imposição de participação em atividades eleitorais e afirma que parte das acusações é baseada em depoimentos sem comprovação.

Investigações continuam

A investigação teve novos desdobramentos após uma operação de busca e apreensão realizada em novembro do ano passado. Desde então, a Polícia Civil analisa documentos, contratos, prestações de contas e depoimentos de ex-funcionários para apurar a existência de eventuais crimes envolvendo recursos públicos destinados à educação infantil.

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