O deputado estadual Val Ceasa (PRD) compareceu à sessão plenária da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (18), horas após ser alvo de uma operação do Ministério Público do Estado e da Polícia Civil. O parlamentar é investigado por suspeita de envolvimento com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Ao discursar no plenário da Alerj, o parlamentar afirmou que foi surpreendido pela chegada dos agentes em sua casa e classificou a operação como um episódio constrangedor.
Ainda assim, disse considerar positiva a realização de uma investigação que, segundo ele, ocorre de forma séria e sem motivações políticas, acrescentando que entende o papel das autoridades encarregadas da apuração.
“Todo mundo poder ser investigado. O filho do presidente Lula está sendo, imagina esse humilde deputado da Zona Norte do Rio”, afirmou.
Val Ceasa relatou que trabalha no Centro de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa) desde a juventude e que nunca teve passagem por delegacias. Segundo o parlamentar, a operação causou desconforto, mas não alterará sua rotina de trabalho.
“Trabalho de domingo a domingo para ajudar aos menos favorecidos. A população sabe da minha índole. É só perguntar para ele se tenho algo de errado. Mais tarde vou estar nas ruas fazendo meu trabalho e fazendo minhas postagens”, disse
O deputado também afirmou que nunca precisou registrar qualquer tipo de ocorrência policial ao longo de sua trajetória profissional.
Alegação de perseguição política
Embora tenha dito compreender a atuação dos órgãos de investigação, Val Ceasa afirmou que ficaria “triste” se descobrisse ser alvo de perseguição política.
Ele comparou sua situação à do vereador carioca Salvino Oliveira (PSD), que também enfrentou investigação por supostas ligações com organizações criminosas, no caso envolvendo suspeitas relacionadas ao Comando Vermelho.
“Só vou ficar triste se for uma coisa como aconteceu com o vereador do município do Rio de Janeiro”, declarou. E completou: “Sofro essa perseguição, mas Deus vai provar que sou uma pessoa de bem.”
A investigação contra o vereador acabou sendo arquivada após questionamentos sobre o uso político da Polícia Civil.
Na ocasião, o PSD ingressou com representação junto ao Ministério Público acusando o ex-secretário da Polícia Civil e pré-candidato a deputado federal Felipe Curi, o ex-governador Cláudio Castro e o delegado Pedro Cassundé de improbidade administrativa.
Nome chegou a ser cogitado para o TCE
Nos últimos meses, deputados estaduais chegaram a se mobilizar em torno do nome de Val Ceasa para ocupar a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) que deverá ser aberta com a saída de Domingos Brazão.
Brazão foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.
A articulação surgiu como alternativa ao nome do deputado estadual Rodrigo Amorim (PL), que também era citado nos bastidores para a indicação. Apesar do movimento de parlamentares em seu favor, o próprio Val Ceasa rejeitou a possibilidade e afirmou que seu trabalho é pela reeleição de deputado.



