O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação para apurar a destinação de R$ 1,8 milhão em emendas parlamentares do deputado federal Pastor Gil (PL-MA) para a cidade de Zé Doca, no Maranhão. Segundo informações da investigação, os recursos teriam sido utilizados para custear estruturas de Carnaval e apresentações musicais, incluindo um show do cantor Tarcísio do Acordeon realizado durante as comemorações do Dia das Mães.
De acordo com documentos analisados pelo TCU, a cidade é administrada por integrantes do grupo político ligado ao deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), aliado político de Pastor Gil. O caso passou a ganhar maior repercussão após auditorias apontarem possíveis irregularidades na prestação de contas envolvendo recursos públicos federais.
Conforme apuração do Tribunal de Contas da União, foram identificados pagamentos feitos a empresas sem comprovação documental considerada suficiente para garantir a rastreabilidade dos gastos. Segundo o órgão de controle, a ausência de documentos dificulta a fiscalização da aplicação do dinheiro público.
Além de Zé Doca, a investigação também alcança o município de Centro do Guilherme, administrado pela esposa de Josimar Maranhãozinho. Os auditores apontam que parte das despesas relacionadas às festividades não apresentou documentação completa que permitisse confirmar a correta execução dos contratos.
Segundo o TCU, as inconsistências encontradas envolvem contratos ligados a eventos festivos, montagem de estruturas e contratação de atrações artísticas. A Corte de Contas ainda avalia se houve descumprimento das regras de transparência exigidas para as chamadas “Emendas Pix”.
Em manifestações públicas, Pastor Gil afirmou que os recursos destinados aos municípios tinham como objetivo incentivar atividades culturais e proporcionar lazer à população local. Segundo o parlamentar, os eventos movimentam a economia regional e fortalecem o comércio nas cidades beneficiadas.
O deputado também sustenta que a destinação das verbas ocorreu dentro das prerrogativas parlamentares previstas na legislação orçamentária federal.
As chamadas “Emendas Pix” permitem a transferência direta de recursos da União para estados e municípios, sem necessidade de convênios tradicionais. O modelo, porém, vem sendo alvo frequente de questionamentos por órgãos de fiscalização devido à dificuldade de rastreamento detalhado dos gastos.
A investigação do TCU ocorre poucos meses após Pastor Gil e Josimar Maranhãozinho terem sido condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2026, em um processo relacionado a suposto esquema de cobrança de propina envolvendo emendas parlamentares.
Segundo decisão da Corte, os parlamentares receberam penas em regime semiaberto. As condenações ampliaram a atenção sobre movimentações financeiras e destinação de verbas públicas ligadas ao grupo político maranhense.
Apesar disso, os processos possuem objetos distintos. A atual investigação conduzida pelo TCU analisa especificamente a utilização dos recursos enviados para eventos e festividades municipais.
Segundo informações da própria Corte de Contas, novas diligências ainda podem ser realizadas para verificar contratos, pagamentos e eventuais responsabilidades administrativas relacionadas aos repasses.
O caso também reacende o debate nacional sobre mecanismos de controle e transparência das emendas parlamentares, especialmente após o crescimento das transferências diretas realizadas por meio das chamadas “Emendas Pix”.
Nos bastidores políticos, a investigação já provoca repercussão no Maranhão devido à proximidade entre os municípios investigados e lideranças do PL no estado.
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