O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da Hannover Messe 2026 neste domingo (19), na Alemanha, e fez um discurso marcado por referências históricas, críticas ao cenário internacional e alertas sobre os impactos da tecnologia no trabalho.
Logo no início da fala, Lula destacou a participação do Brasil na feira ao longo dos anos e relembrou momentos de instabilidade econômica global, como os choques do petróleo que afetaram diversas economias no passado. Ele contextualizou esses episódios como parte de um ciclo de desafios enfrentados pela indústria mundial.
Durante o discurso, o presidente também fez uma referência pessoal a um episódio ocorrido há cerca de quatro décadas, quando esteve preso durante a ditadura militar no Brasil. Segundo ele, aquele período acabou impulsionando um dos maiores movimentos operários da história do país. Lula afirmou ainda que, durante seus primeiros mandatos, políticas voltadas à indústria e à inovação recolocaram esses setores no centro da estratégia econômica nacional.
Críticas ao cenário internacional e conflitos globais
Ao abordar o contexto político global, Lula mencionou o avanço de movimentos de extrema-direita e afirmou que esse crescimento tem provocado impactos nas estruturas democráticas em diversos países. Ele também comentou conflitos internacionais em andamento e citou lideranças como Donald Trump, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e Xi Jinping ao tratar do cenário geopolítico.
O presidente brasileiro também mencionou a atuação da Organização das Nações Unidas e defendeu maior atenção da comunidade internacional aos conflitos. Em sua avaliação, países não devem se submeter a políticas baseadas em sanções econômicas e disputas comerciais, que podem ampliar tensões globais.
Presidente Lula participa da abertura da feira Hannover Messe 2026 https://t.co/WG6ajHqMyz
— Lula (@LulaOficial) April 19, 2026
Soberania e críticas a políticas econômicas
No campo econômico, Lula reforçou a importância da soberania entre as nações e criticou medidas de taxação e punição adotadas por países em disputas internacionais. A declaração foi feita em referência a políticas associadas ao governo de Trump, especialmente no que diz respeito a barreiras comerciais.
Segundo o presidente, esse tipo de prática pode gerar impactos negativos nas relações comerciais globais e dificultar a cooperação entre países.
Inteligência artificial e mercado de trabalho
Outro ponto central do discurso foi o avanço da inteligência artificial. Lula destacou que o desenvolvimento tecnológico precisa considerar seus efeitos sobre o emprego e alertou para a necessidade de proteger trabalhadores diante das transformações digitais.
Ele afirmou que a inovação não pode ocorrer à custa da perda de postos de trabalho, defendendo um equilíbrio entre progresso tecnológico e inclusão social.
Agenda na Alemanha e participação brasileira
A agenda do presidente na Alemanha começou com um encontro com Martin Schulz, seguido de recepção oficial no Palácio de Herrenhausen e reuniões com autoridades locais.
Nesta segunda-feira (20), Lula participa da abertura do estande brasileiro na feira e visita os pavilhões. O espaço reúne cerca de 140 empresas brasileiras, além de outras 300 representadas, distribuídas em setores como transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial.
A programação inclui ainda o Encontro Econômico Brasil–Alemanha e reuniões intergovernamentais, reforçando a presença do país em um dos principais eventos industriais do mundo.
