Lula cobra regulação global das redes em fórum na Espanha

Imagem: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado (18) a criação de uma regulação global para as redes sociais durante participação em um fórum internacional realizado em Barcelona, na Espanha. Em seu discurso, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que as plataformas digitais têm sido dominadas por conteúdos nocivos, como desinformação, discurso de ódio e práticas que, segundo ele, exigem uma resposta mais firme por parte dos governos.

Ao lado do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, Lula reforçou que, sem regras claras e coordenação internacional, será impossível controlar o funcionamento dessas plataformas. Ele criticou o que classificou como uma “indústria da mentira” e alertou que a liberdade de expressão não pode servir de justificativa para a disseminação de informações falsas e ataques verbais.

Durante a fala, o presidente foi direto ao descrever o cenário atual das redes sociais, afirmando que o ambiente digital se afastou da proposta original de interação social. Segundo ele, há excesso de conteúdos prejudiciais e pouca presença de debate construtivo. Lula também sinalizou que os Estados devem adotar uma postura mais rigorosa diante desse contexto, indicando que novas medidas podem ser discutidas em nível global.

O encontro em Barcelona reuniu cerca de 20 líderes internacionais, incluindo nomes como Gustavo Petro, Claudia Sheinbaum e Gabriel Boric. No evento, Lula destacou que o debate sobre a regulação das plataformas digitais não se limita ao Brasil, mas deve ser tratado como uma pauta global, especialmente diante do impacto das redes em processos eleitorais e na formação da opinião pública.

Além das críticas às plataformas, o presidente voltou a questionar o papel da Organização das Nações Unidas no cenário internacional. Segundo ele, a entidade perdeu capacidade de mediação em conflitos globais, especialmente diante de decisões unilaterais tomadas por grandes potências. Lula mencionou episódios recentes envolvendo intervenções militares sem respaldo do organismo internacional e defendeu mudanças na estrutura da ONU.

Entre as propostas, o presidente reiterou a necessidade de ampliar a representatividade no Conselho de Segurança, com a inclusão de países da África e da América Latina, como o Brasil. Para ele, essa reformulação é essencial para fortalecer a legitimidade das decisões internacionais.

Na sequência de sua agenda externa, Lula deve seguir para Hannover, na Alemanha, e posteriormente para Lisboa, em Portugal. A viagem faz parte de uma série de compromissos internacionais que integram os últimos deslocamentos previstos fora do país durante o atual mandato presidencial.

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