URGENTE: TCE-RJ barra venda de precatórios em Campos e investiga R$ 200 mi

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

A venda de R$ 200 milhões em precatórios realizada nos últimos meses da gestão de Wladimir Garotinho, em Campos dos Goytacazes, passou a ser alvo direto do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Em decisão monocrática dentro do processo nº 205.591-8/26, o órgão aceitou denúncia apresentada por um morador e identificou indícios de irregularidades na operação, determinando a suspensão imediata de novas negociações do mesmo tipo até o julgamento definitivo.

O documento, está sob sigilo interno na Corte de Contas. Mesmo assim, a decisão já representa um avanço significativo nas apurações e impõe pressão sobre atos adotados no encerramento do governo anterior.

A negociação dos precatórios foi concluída nos últimos momentos da gestão. Antes de deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, Wladimir autorizou a cessão de parte de um crédito judicial do município com deságio de 30%. Na prática, a Prefeitura abriu mão de R$ 60 milhões para receber R$ 140 milhões de forma imediata.

Apesar de não anular o contrato firmado, o TCE-RJ destacou a existência de dúvidas relevantes quanto à legalidade, à economicidade e ao interesse público da operação. A Corte determinou que a atual administração municipal apresente explicações detalhadas sobre diversos pontos considerados críticos.

Entre os principais questionamentos levantados pelo Tribunal, estão:

  • O método utilizado para justificar o deságio de 30%;
  • A escolha do pregão eletrônico como modalidade de contratação;
  • A alegação de crise financeira diante de um cenário de superávit;
  • A destinação precisa dos R$ 140 milhões recebidos;
  • A compatibilidade da operação com o planejamento orçamentário (LOA, LDO e PPA);
  • O impacto direto sobre o regime previdenciário municipal.

A análise preliminar indica inconsistências relevantes entre a justificativa apresentada e os dados fiscais do município.

Superávit enfraquece narrativa de urgência

Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos técnicos do Tribunal foi a justificativa de necessidade urgente de caixa. Dados oficiais apontam que Campos registrava superávit aproximado de R$ 466 milhões no exercício de 2025, o que enfraquece o argumento de crise financeira usado para viabilizar a venda com deságio elevado.

Esse cenário levanta dúvidas sobre a real motivação da operação e reforça a necessidade de esclarecimentos formais por parte da Prefeitura.

Previdência pode ter direito a até R$ 70 milhões

Outro aspecto considerado sensível envolve os servidores públicos municipais. Segundo a avaliação inicial do TCE-RJ, a venda pode estar sujeita à aplicação do artigo 39-A, §6º, da Lei Federal 4.320/64.

A norma prevê que 50% dos valores obtidos com a alienação de ativos públicos devem ser destinados ao regime previdenciário, caso haja necessidade de equilíbrio atuarial.

Se essa interpretação for confirmada, até R$ 70 milhões do total negociado poderão ter de ser direcionados ao sistema previdenciário de Campos, impactando diretamente aposentados, pensionistas e servidores ativos.

Efeito dominó na gestão anterior

A decisão do TCE-RJ ocorre em meio a uma série de questionamentos envolvendo atos da gestão encerrada. Recentemente, denúncias também resultaram na paralisação de licitações milionárias na Secretaria Municipal de Educação, ligadas à terceirização de mão de obra.

Nos bastidores políticos, a avaliação é de que o ex-prefeito deixou um conjunto de problemas fiscais e administrativos para a atual administração lidar, aumentando a tensão institucional dentro da Prefeitura.

Processo pode gerar punições e ressarcimento

Com a denúncia aceita, o caso entra agora em fase de aprofundamento técnico. A depender das respostas apresentadas pela Prefeitura e das conclusões da equipe técnica do Tribunal, novas medidas poderão ser adotadas.

Entre as possíveis consequências estão:

  • Correção obrigatória na destinação dos recursos;
  • Determinação de repasses ao sistema previdenciário;
  • Recomendações de ressarcimento aos cofres públicos;
  • Responsabilização de ex-gestores;
  • Encaminhamento do caso ao Ministério Público.

Bastidores e conexões políticas

Nos corredores da Prefeitura, o entendimento é de que o episódio está longe de ser encerrado. A operação dos precatórios, que parecia finalizada, voltou ao centro do debate e ampliou o desgaste entre o atual prefeito Frederico Paes e seu antecessor.

Há também questionamentos sobre a ausência de uma transição formal de governo, o que teria dificultado o conhecimento prévio de decisões estratégicas adotadas nos últimos meses da gestão anterior.

A negociação dos precatórios teria sido conduzida por Thiago Ferrugem, ex-chefe de gabinete de Wladimir. Ele foi recentemente condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Rio por envolvimento em esquema de rachadinha e já havia sido preso no âmbito da Operação Chequinho, quando utilizou tornozeleira eletrônica.

Impacto pode se agravar com decisão do STF

O cenário fiscal do município pode se tornar ainda mais delicado. O Supremo Tribunal Federal marcou para o dia 6 de maio o julgamento da liminar de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que trata da redistribuição dos royalties do petróleo.

Caso a nova regra seja mantida, municípios produtores como Campos podem sofrer perdas significativas de arrecadação, o que amplia o peso de decisões financeiras recentes — incluindo a venda dos precatórios.

Fonte: Portal VIU

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