As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam que Luiz Phillipi Mourão, identificado como o principal executor de ações violentas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, recebia cerca de R$ 1 milhão mensais por atividades consideradas ilícitas. Conhecido nos bastidores como “Sicário”, Mourão teria atuado como peça central em operações criminosas associadas ao empresário.
De acordo com os investigadores, desse valor mensal, aproximadamente R$ 600 mil permaneciam com ele, enquanto o restante era destinado ao pagamento de colaboradores fixos e eventuais envolvidos nas ações.
Apesar da movimentação financeira elevada, as declarações de Imposto de Renda apresentadas entre 2020 e 2024 indicam rendimentos totais de apenas R$ 2,5 milhões, supostamente oriundos de participação societária em empresas valor significativamente inferior à evolução patrimonial registrada no mesmo período.
Patrimônio cresce sem explicação formal
Os dados analisados pela Polícia Federal revelam que o crescimento patrimonial de Mourão não encontra respaldo em operações de crédito ou registros financeiros formais. Em 2024, ele declarou à Receita Federal bens avaliados em R$ 8,4 milhões.
No entanto, somente naquele ano, adquiriu três relógios de luxo avaliados em R$ 3,9 milhões, mas declarou apenas R$ 390 mil valor correspondente às parcelas iniciais dos bens. Considerando esses ativos, o patrimônio total estimado alcançaria cerca de R$ 11,9 milhões.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foram as constantes retificações nas declarações fiscais. Em diversos casos, valores foram alterados posteriormente ou bens incluídos após as primeiras versões entregues.
Um exemplo citado é o de um apartamento em Belo Horizonte, inicialmente declarado por R$ 1 milhão desde 2019. Em 2021, o valor foi reduzido para R$ 550 mil e, no ano seguinte, voltou ao patamar original.
Essas alterações fizeram com que, em pelo menos dois anos (2021 e 2022), o patrimônio declarado mais do que dobrasse após ajustes.
Coleção milionária de relógios levanta suspeitas
Entre os bens informados, a coleção de relógios de luxo se destaca como o principal componente do patrimônio. Um dos itens é um modelo da marca Richard Mille avaliado em R$ 2 milhões, adquirido em 2024 e declarado apenas pelo valor parcial pago.
Além dele, há outros dois relógios da mesma marca, estimados em R$ 1,2 milhão e R$ 1 milhão. A lista inclui ainda dois modelos da grife Patek Philippe, avaliados em R$ 900 mil e R$ 800 mil.
Somados, os relógios representam cerca de R$ 6,7 milhões do patrimônio declarado por Mourão, evidenciando a concentração de riqueza em bens de alto valor e difícil rastreabilidade.
Prisão e morte durante operação
Luiz Phillipi Mourão foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte, ele atentou contra a própria vida e morreu no dia 6 de março.
As informações detalhadas sobre sua movimentação financeira e patrimonial foram encaminhadas pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que acompanha o caso.
