O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, investigado na Operação Compliance Zero, afirmou que pretende revelar à Polícia Federal a identidade de um político que, segundo ele, teria exercido influência decisiva sobre investimentos bilionários realizados pelo Rioprevidência no Banco Master. A declaração foi dada durante sua primeira entrevista à imprensa após ter sido alvo de buscas na mais recente fase da investigação.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa nacional, Siqueira é apontado pela Polícia Federal como um dos articuladores das operações que resultaram em aplicações de recursos do fundo previdenciário estadual na instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a investigação, mensagens trocadas entre Ricardo Siqueira e Daniel Vorcaro em 2023 indicariam a existência de uma influência política sobre decisões envolvendo o Rioprevidência.
Em uma das conversas interceptadas, Siqueira afirmou que poderia contribuir apenas com um encaminhamento técnico, mas que as decisões dependeriam de uma articulação política.
“Lá tem dono”, afirmou o empresário em mensagem reproduzida nos documentos da investigação.
A conversa teria ocorrido antes da realização de investimentos bilionários do fundo estadual no Banco Master.
Durante a entrevista, Ricardo Siqueira afirmou que o responsável por autorizar ou viabilizar os investimentos ainda não foi formalmente citado pelas autoridades responsáveis pelo caso.
O empresário declarou que pretende apresentar essas informações diretamente à Polícia Federal.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre quem seria a pessoa mencionada por ele.
Entre os nomes que aparecem relacionados ao período dos investimentos está o do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, ele teria sido apontado como possível responsável por sugerir o nome de Deivis Marcon Antunes para a presidência do Rioprevidência.
Deivis está preso desde fevereiro. Antônio Rueda nega qualquer interferência na gestão do fundo previdenciário.
Conforme investigação da Polícia Federal, Ricardo Siqueira teria atuado como intermediador das operações realizadas entre o Banco Master e fundos de previdência.
Os investigadores apontam que ele receberia uma comissão equivalente a 0,6% dos valores captados pela instituição financeira.
Segundo o relatório policial, os pagamentos teriam sido realizados por meio da empresa Mídias Promotora, utilizada para movimentar aproximadamente R$ 41,9 milhões que, de acordo com a apuração, teriam sido destinados ao pagamento de vantagens indevidas.
Siqueira, entretanto, nega ter atuado como lobista e contesta os valores apontados pela investigação.
O empresário afirmou ter recebido cerca de R$ 16 milhões por serviços de consultoria prestados ao banco, alegando que os pagamentos ocorreram dentro de contratos formalizados.
Ricardo Siqueira afirmou que foi contratado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, em razão de sua experiência anterior no mercado financeiro e de seu relacionamento profissional com integrantes da família do banqueiro.
Segundo ele, o trabalho consistia em auxiliar na aproximação entre o Banco Master e regimes próprios de previdência social interessados em investimentos.
De acordo com informações reunidas pela investigação, o volume de recursos aplicados pelo Rioprevidência em operações ligadas ao Banco Master pode ter alcançado aproximadamente R$ 3,7 bilhões.
As operações estão no centro da Operação Compliance Zero, que busca esclarecer possíveis irregularidades envolvendo aplicações financeiras realizadas com recursos previdenciários.
A Polícia Federal segue analisando documentos, movimentações financeiras e comunicações interceptadas para identificar eventuais responsabilidades dos envolvidos.
Até o momento, não há condenações relacionadas aos fatos investigados. As apurações continuam em curso e os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, novas diligências e oitivas poderão ocorrer nas próximas etapas da Operação Compliance Zero.
O caso segue sendo acompanhado por órgãos de controle e pode trazer novos desdobramentos sobre a gestão de recursos previdenciários no Estado do Rio de Janeiro.
