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Política

PT aciona TSE para retirar conteúdo de site ligado ao PL que distribui desinformação sobre a esquerda

5 min de leitura Expresso Rio
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O PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar retirar do ar conteúdos publicados pelo Direita Já, plataforma vinculada ao PL que disponibiliza material para ser compartilhado por apoiadores nas redes sociais. A representação, protocolada nesta quinta-feira (6), também pede a suspensão de um programa destinado a influenciadores digitais e uma investigação sobre a origem dos recursos usados na iniciativa.

Segundo reportagem do jornal O Globo, o PT sustenta na ação que a plataforma funciona como uma estrutura organizada para abastecer a militância digital ligada ao bolsonarismo com peças destinadas, principalmente, a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu governo e aliados políticos.

Segundo a representação, o Direita Já atuaria como um “hub de alimentação de outras páginas na internet”, oferecendo artes gráficas, cards e vídeos prontos para serem baixados e posteriormente publicados pelos usuários em diferentes redes sociais.

A estimativa apresentada pelo PT ao TSE é que até 50 novos conteúdos sejam disponibilizados por semana. Parte significativa das peças, segundo a legenda, é dedicada a críticas e ataques a Lula e ao PT.

Ao recorrer à Justiça Eleitoral, o partido pretende não apenas interromper a circulação das publicações que considera irregulares, mas também atingir a estrutura criada para multiplicar o alcance desse material na internet.

Programa promete ampliar alcance de influenciadores

Um dos principais alvos da representação é o programa de “creators”, iniciativa criada dentro da própria plataforma e voltada a influenciadores digitais.

De acordo com a documentação apresentada ao TSE, interessados podem se cadastrar no sistema e informar dados sobre seus perfis nas redes sociais. A iniciativa oferece aos participantes a possibilidade de ampliar a audiência dos conteúdos, com promessa de alcance de até 50 milhões de visualizações para quem reproduzir o material disponibilizado.

Para o PT, o mecanismo demonstra que não se trata apenas de uma página destinada à divulgação de material partidário, mas de uma estrutura concebida para estimular a reprodução coordenada das peças em diferentes perfis.

A representação acusa a plataforma de distribuir material que teria como objetivo desgastar a imagem do presidente, do governo e do próprio PT por meio de descontextualizações e recursos de manipulação digital.

“Essa ‘munição visual’ fornecida pelo Partido Liberal carrega o intento explícito de atacar Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores, com conteúdo composto por uma mistura de elementos degradantes a Lula e ao PT, inclusive repletos de deep fakes”, sustenta a representação jurídica do partido.

O uso de inteligência artificial e de conteúdos sintéticos tornou-se um dos principais pontos de atenção da Justiça Eleitoral nos últimos pleitos, sobretudo diante da possibilidade de utilização dessas ferramentas para fabricar imagens, áudios e vídeos capazes de atribuir falsamente falas ou comportamentos a candidatos.

PT aponta ataques a Lula e exaltação a Flávio Bolsonaro

Na ação, o PT afirma ainda que a plataforma combina conteúdos favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro e ao seu pré-candidato a vice, Alfredo Gaspar, com publicações voltadas contra adversários políticos.

Entre as peças apontadas na representação estão conteúdos que procuram associar Lula aos escândalos envolvendo o Banco Master e o INSS.

O partido também acusa a plataforma de disponibilizar publicações que vinculam falsamente o presidente da República a organizações criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além do narcotráfico.

Segundo a argumentação levada ao TSE, parte dessas alegações já estaria em conflito com entendimentos adotados anteriormente pela própria Justiça Eleitoral no combate à desinformação.

“Muitos desses conteúdos (feitos pelo PL, disponibilizados coordenadamente para qualquer usuário e para influenciadores) confrontam as decisões deste TSE inseridas no chamado ‘Repositório – Enfrentamento à desinformação’, a respeito de conteúdos já carimbados pelo Tribunal Superior Eleitoral como ‘fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral’”, aponta o texto da ação.

A referência ao repositório do tribunal é utilizada pelo PT para sustentar que algumas das peças não representariam apenas críticas políticas ou propaganda eleitoral negativa, mas repetiriam informações que já foram consideradas falsas ou gravemente descontextualizadas pela Justiça Eleitoral.

Caberá ao TSE avaliar individualmente os conteúdos questionados e decidir se as publicações ultrapassam os limites permitidos para a disputa política e eleitoral.

Partido quer investigação sobre Fundo Partidário e Eleitoral

Além da retirada dos conteúdos apontados como irregulares, o PT pede uma medida mais ampla contra a estrutura de distribuição mantida pela plataforma.

A legenda solicita ao TSE que determine a suspensão integral do programa de “creators”, impedindo a continuidade do mecanismo destinado a estimular influenciadores a replicar o material.

Outra frente da representação envolve o financiamento da estrutura.

O partido pede que seja investigada a eventual utilização de dinheiro público para financiar tanto a produção das peças quanto a rede de influenciadores associada à plataforma.

A apuração solicitada deverá verificar, caso seja autorizada pelo tribunal, se recursos provenientes do Fundo Partidário ou do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, foram empregados na produção, distribuição ou impulsionamento dos conteúdos questionados.

O PT também quer saber se algum desses recursos é utilizado para remunerar influenciadores cadastrados no programa.

A existência de uma plataforma partidária destinada à produção e distribuição de material político não configura, por si só, uma irregularidade. O ponto que deverá ser analisado pela Justiça Eleitoral é se os conteúdos apontados na representação infringem as normas contra desinformação e se a estrutura de distribuição e seu eventual financiamento estão de acordo com a legislação eleitoral.

A ação abre, assim, uma nova frente da disputa entre PT e PL na campanha de 2026, desta vez concentrada nas estratégias de comunicação digital e na utilização de redes de apoiadores e influenciadores para ampliar o alcance da propaganda política na internet.

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