PF vê pedido de Hugo Motta a Vorcaro para liberar empréstimo de R$ 22 milhões à cunhada

A Polícia Federal encontrou diálogos no celular do banqueiro Daniel Vorcaro em que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pede a liberação de um empréstimo do Banco Master para uma empresa de sua cunhada, Bianca Medeiros.
Questionado pelo Estadão, Motta se recusou por cinco vezes a responder se atuou para liberar o crédito. Ele disse que a operação seguiu parâmetros de mercado, que “está dentro da legalidade” e que a empresa mantém o pagamento das prestações.
As conversas ocorreram antes de Motta assumir a presidência da Câmara. O financiamento citado pelos investigadores soma ao menos R$ 22 milhões e saiu em março de 2024 para Bianca Medeiros, irmã de Luana Motta, mulher do parlamentar.
O valor financiou a compra de um terreno em João Pessoa (PB), onde será construído um novo bairro. Em entrevista, Motta afirmou: “Não tem ilegalidade de nada”. Ao ser perguntado diretamente se pediu a Vorcaro a liberação do empréstimo, respondeu: “Você não vai conseguir arrancar de mim uma declaração que eu pedi, que eu não pedi. Se você tem a apuração, você publica a apuração. Eu não vou confirmar a informação. Eu não tenho obrigação de confirmar isso”.
PF analisa viagem a Lisboa e relatórios sobre a relação entre Motta e Vorcaro
A PF também apura outras menções a Motta no celular de Vorcaro, incluindo o pagamento de despesas de uma viagem do deputado a Lisboa. Em 2024, o banqueiro bancou gastos de Motta e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no exterior, de acordo com documentos e conversas obtidos pelos investigadores.
Nos registros, Vorcaro determina o pagamento de cinco diárias de “suíte jr.” no Four Seasons Hotel para Ciro e Motta. A PF calculou que o custo total para cada um ficaria em cerca de R$ 90 mil, com base na cotação do euro à época.
Motta afirmou ao Estadão que viajou de “carona” no voo de Vorcaro a convite de Ciro Nogueira. Segundo a PF, o banqueiro cobrou de um funcionário privacidade total na organização de um jantar em Lisboa com a presença de Ciro e Motta, que naquele período exercia mandato de deputado federal.
A equipe da Operação Compliance Zero analisa relatórios internos da PF sobre a relação entre Motta e Vorcaro. Os investigadores avaliam se há indícios de crimes e se devem aprofundar a apuração sobre o presidente da Câmara, inclusive sobre eventual relação entre o empréstimo do Master e uma emenda de Motta para obrigar seguradoras e instituições financeiras a aplicar recursos em créditos de carbono, área ligada a negócios da família de Vorcaro.
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